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  • não publicado
  • Publicado: Quinta, 11 de Abril de 2013, 16h07
  • Última atualização: 19/09/13 14h26

Criança foi curada de dois cânceres no Hospital de Barretos

Família Teshima durante visita ao Hospital de Câncer de Barretos

“Ela foi curada pela mão desses médicos, que são verdadeiros anjos aqui na terra. Eu sou muito grato ao Hospital de Câncer de Barretos. A vida da minha filha foi salva porque Deus permitiu e porque existem profissionais muito competentes, verdadeiros seres humanos, que trabalham e lutam a favor da vida nesse hospital”, conta emocionado Eduardo Teshima, pai de Bianca Teshima, que foi diagnosticada com um câncer na coluna aos três anos de idade. A história da família se encontrou com a do Hospital de Câncer de Barretos em 2005.

O pai conta que tudo começou com uma simples prisão de ventre. Dias depois Bianca teve uma paralisia na perna esquerda e o pediatra da rede particular de Ivinhema (MS) a encaminhou para um especialista em Dourados (MS). A médica solicitou uma tomografia cerebral porque acreditava em um câncer na cabeça devido à perda da coordenação motora, mas o exame deu negativo. Outro exame foi realizado. Dessa vez retiraram o líquido da medula, onde foi detectado um tumor de 10 cm na coluna de Bianca. Uma biópsia confirmou que o tumor era maligno.

“Nessa hora a gente levou um choque muito grande. Uma criança com três anos, que estava começando uma vida e já tinha um câncer. Nunca tivemos caso de câncer na família. Rapidamente já começamos a pensar em onde buscar tratamento, quanto custaria, onde conseguiríamos recurso. Começamos a pesquisar, queríamos um tratamento de ponta, queríamos ter certeza que ela seria tratada e seria curada. Foi aí que ficamos sabendo do Hospital de Câncer de Barretos. Até ficamos sabendo de outros hospitais, mas esse foi o que mais indicaram para gente. Nós não medimos distância, no outro dia já fomos para lá”, lembra Eduardo.

Como alguns exames já haviam sido realizados em Mato Grosso do Sul, Bianca chegou ao Hospital de Barretos com o diagnóstico, e o tratamento com quimioterapia foi iniciado um dia após a entrada no hospital. Com exames mais precisos, os médicos detectaram que a menina tinha uma doença rara chamada Sarcoma de Ewing – um tumor de partes moles com uma alteração molecular. São tumores agressivos, que respondem ao tratamento de maneiras diferentes – o tratamento da Bianca consistia em 17 sessões de quimioterapia e 25 sessões de radioterapia com duração de um ano e seis meses. A mãe da menina, Márcia, passou a morar em Barretos para acompanhar a filha de perto e o pai voltou para Ivinhema para trabalhar e cuidar do filho de um ano e dez meses.

Eduardo conta que a atenção recebida por ele no hospital é diferente de tudo que já viu em termos de saúde. Considera a equipe do hospital como “uma grande família” e lembra que até o medo de Bianca tinha de médico acabou na primeira semana de tratamento. “Apesar da parte ruim, do que você tá passando e de se deparar com situações muito graves, até piores que a sua, você é muito bem recebido em Barretos. Desde o bom dia alegre do porteiro, a enfermeira com uma atenção toda especial, uma psicóloga que pergunta e conversa quando estamos assustados. Lá é como se eles também fossem pais do seu filho e por isso querem dar o melhor remédio, fazer a melhor coisa para ele ser curado, para amenizar a dor. Não sei dizer qual é a fórmula, mas sei que eles trabalham não só com as mãos, mas também com o coração”, afirma.

Hospital Referência – O Hospital do Câncer de Barretos é o maior e mais avançado hospital oncológico do país. O atendimento é 100% via Sistema Único de Saúde (SUS) e mantido também por doações de colaboradores. Mais de três mil pessoas são atendidas diariamente, por 250 médicos que trabalham com exclusividade e em tempo integral, e conta com 2500 colaboradores.

Exemplo – A médica Gisele Eiras Martins conta que Bianca é um exemplo a ser seguido e que apesar de toda a dificuldade que passou, nunca faltou as sessões e fez todo o tratamento corretamente. Para ela, os pais de Bianca influenciaram muito no resultado positivo do tratamento. “As vezes os pais sofrem mais quando a criança é bem pequena porque as crianças ainda não entendem muito bem o que tá acontecendo e os pais sim, eles sabem a real situação e os riscos que ela tá correndo. A família da Bianca é muito estruturada e isso ajuda muito, reflete na criança, e de forma indireta reflete no tratamento”, explica Gisele.

Outro câncer – Quatro anos depois do tratamento bem-sucedido, Bianca manifestou um linfoma na perna esquerda que não havia nenhum tipo de ligação como tumor anterior. Linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve nos gânglios. Ocorre quando uma célula normal do sistema imune encarregado de defender o organismo de infecções cresce desordenadamente e espalha-se pelos linfonodos. São classificados em linfomas Hodgkin (LH) e não Hodgkin (LNH). Nos dois casos, eles têm comportamento e grau de agressividade diversos. Pode se manifestar em pessoas de qualquer idade e a causa do linfoma não Hodgkin ainda é desconhecida.

Hoje, Bianca está bem e já voltou para casa. Ainda fará visitas esporádicas ao Hospital Infantojuvenil para acompanhamento, até o fim de abril, quando finaliza o tratamento. Apesar dos exames que realiza uma vez por mês – exames de imagem relacionados aos dois tumores – os cânceres da menina, que hoje está com 11 anos de idade, já foram curados. Movido pela fé e em agradecimento ao Hospital pela recuperação da filha, o pai de Bianca, Eduardo, tornou-se representante do Hospital de Câncer na cidade de Ivinhema e atua voluntariamente organizando leilões e outros eventos arrecadando fundos para a instituição.

A médica Gisele deixa um alerta aos pais e aos profissionais de saúde. “O câncer na infância, apesar de ser raro, existe e nós temos que estar atentos. Quando se depararem com um caso diferente que não evolui bem tem que entrar em contato com o especialista. Às vezes uma biopsia realizada de forma incorreta ou uma medicação dada de maneira errada pode atrapalhar o diagnóstico. Se teve a suspeita de que o quadro está diferente do habitual, tem que discutir com um especialista e tentar encaminhar o quanto antes para o lugar certo, porque o diagnostico precoce interfere muito na sobrevida”, finaliza.

Camilla Terra / Blog da Saúde

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