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Combate ao Aedes
  • publicado
  • Publicado: Sexta, 06 de Maio de 2016, 09h37
  • Última atualização: 06/05/16 09h37

MV Bill defende trabalho conjunto no combate ao Aedes

Dando continuação a mais ação para vencer o Aedes aegypti, neste fim de semana, as capitais Aracaju (SE) e Salvador (BA) estarão mobilizadas para o Faxinaço #ZikaZero. A iniciativa é uma parceria do Ministério da Saúde com a Central Única das Favelas (Cufa). O faxinaço já foi realizado no Rio de Janeiro e mobilizou moradores das periferias para ações de prevenção e eliminação de possíveis focos do mosquito transmissor dos vírus Zika, da dengue e da Chikungunya. O rapper carioca MV Bill participou da ação no Rio e conversou com o Blog da Saúde sobre a importância da iniciativa para a população.

 

Blog da Saúde: Como você avalia sua participação na campanha de conscientização contra o Aedes aegypti?

MV Bill: Acho que a conscientização de uma favela do tamanho da Rocinha é de uma importância que me faltam palavras para dizer. Eu tenho acompanhado os casos de Zika, chikungunya e dengue e tenho visto que as pessoas estão perdendo vidas, perdendo a sanidade do seu filho, na gestação. A minha participação aqui não é como MV Bill, embora as pessoas vão me chamar dessa maneira, mas eu estou muito mais aqui como Alex, cidadão, morador da Cidade de Deus. Acho que é importante trocar essa ideia e mostrar que aqui, como moradores, que juntos, a gente é mais forte. A gente precisa ser mais forte que o mosquito.

Blog da Saúde: Vimos que você tem uma grande preocupação em combater o mosquito.

MV Bill: Além da preocupação, tem uma coisa que eu vejo todo dia que são os noticiários. Os noticiários, muitas vezes, falam da gravidade do Aedes de uma forma muito rebuscada, que as pessoas mais humildes não conseguem compreender. São justamente essas pessoas mais humildes que estão sendo mais vitimadas. Tem vítimas em todas as esferas sociais, mas nas partes mais pobres, onde têm menos saneamento, menos limpeza de lixo urbano, onde têm menos conscientização, o ataque é muito maior. Até citei que na Cidade de Deus, que é a cidade onde eu moro, a gente tem experiências de uma pessoa que limpa sua casa corretamente e uma que não limpa. Então, a dengue foi para ele e para os vizinhos que fazem o trabalho correto. É uma parada que não pode depender apenas do poder público, mas é um trabalho conjunto: poder público, instituições, lideranças e a comunidade.

Blog da Saúde: Qual a importância do envolvimento da comunidade?

MV Bill: Acho que todo mundo tem que se envolver. Acho que essa é uma questão de envolvimento público. É saúde pública, mas tem que ter o envolvimento de todas as pessoas: políticos, pessoas comuns, pessoas normais, médicos, advogados, pessoas da sociedade civil organizada, pessoas da comunidade, da favela, de todos os lugares que precisam ter essa conscientização. O mesmo mosquito que pica na Rocinha, vai picar em São Conrado, pode picar no Chapéu Mangueira, pode picar em Copacabana, Ipanema, pode chegar na Cidade de Deus, na Barra. Tem que pensar no mosquito coletivamente. Não é só eu tô fazendo a minha parte. É tem que fazer a sua parte, e cobrar para que outros façam também. Esse é um combate coletivo.

Blog da Saúde: Qual é a melhor ferramenta para eliminar os mosquitos?

MV Bill: Acho que é a comunicação e a informação. As pessoas precisam ser informadas. Às vezes, um vizinho é a melhor pessoa para fazer o comunicado. Ele pode ter uma forma diferente de chegar, uma abordagem diferenciada e, de repente, o toque vai ser mais válido do que ele vê na televisão. A televisão, como eu falei com vocês, ela fala de uma forma que a pessoa não consegue entender. Como eu vejo muito noticiário, sou uma pessoa que me ligo muito em política social, política partidária. Eu entendo um pouco diferente e tento passar isso para o coletivo, mas o ideal é que todas as pessoas tivessem essa compreensão. Talvez os meios de comunicação, tanto os canais do Ministério da Saúde, também devam fazer comunicados mais diretos para as pessoas, mais claros, mais simples, mais objetivos, de uma forma que as pessoas entendam. Quando a gente fala da Guillain-Barrée aí eu explico o que é, o pessoal vai tendo noção da gravidade, mas quando você fala em chikungunya, a pessoa não remete a uma doença grave. Nem a dengue as pessoas enxergam assim. Você fala do Zika, as pessoas estão mais preocupadas com a microcefalia, do que com os malefícios que o próprio Zika pode causar. Pra mim, o mais grave de tudo que eu vi foi o Guillain-Barré,que pode deixar a pessoa tetraplégica, paraplégica. A pessoa pode perder os movimentos para sempre e ainda deixar com insanidade mental. É uma parada muito grave. O mais importante, do que as doenças, é saber que ela é transmitida por um único mosquito. Um único mosquito passa várias doenças. A gente como ser pensante, atuante, racional, é inconcebível que a gente perca a vida, ou ficar com sequelas pelo resto dela, por conta de um único mosquito. Por isso, que eu acho que é uma parada muito importante. Por isso, eu participo da campanha, eu acho que é válido. É fazer uma boa ação.

 

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