Entre trens e trilhos também se combate o Aedes aegypti
No pátio da oficina ferroviária do Horto Florestal, zona central de Belo Horizonte, o Aedes aegypti já não é um problema tão grande quanto era há algumas semanas atrás. Foi o tempo em que a MRS Logística, concessionária ferroviária e responsável pelo local, tinha 29 funcionários afastados no mesmo período por causa de dengue. Hoje, as medidas preventivas são aplicadas no dia a dia da empresa e todos estão ativos na luta contra o mosquito vetor da dengue, chikungunya e vírus Zika.
O trabalho de conscientização e de limpeza do local já acontece há alguns anos, mas foi acelerado depois do decreto em dezembro passado de situação de emergência em saúde pública e do aumento de número de casos de dengue no estado de Minas Gerais.
Até então, a resposta para o alto número de focos no pátio do Horto era principalmente o acúmulo de mais de 200 vagões inservíveis e sucateados. Esses vagões ficaram sob a responsabilidade da empresa quando ela ganhou a concessão da malha sudeste da extinta Rede Ferroviária Federal SA, em 1996. Por se tratar de patrimônio da União, o material não podia ser retirado e , por isso, foi necessário aguardar o resultado dos leilões públicos. O processo foi lento, pois raramente os compradores se manifestavam devido ao alto custo da remoção e corte dos veículos.
Esses bens, reunidos no pátio do Horto, ficaram em desuso e foram sucateados ao longo dos últimos 20 anos, gerando um problema sanitário, pois impediam a limpeza do pátio e acumulavam água, se tornando grandes potenciais para criadouros do mosquito.
Hoje ainda existem 10 vagões aguardando por um destino adequado. No entanto, medidas de prevenção já foram adotadas, como mutirões semanais de limpeza, palestras educativas para os trabalhadores, mudança no armazenamento e acondicionamento de peças e desentupimento do dreno dos vagões restantes.
Marcelo Paim, gestor da concessionária, acredita que os trabalhadores que já adoeceram são os mais motivados para dar seguimento às ações. ‘Os que sentiram na pele a doença sabem a importância da prevenção e participam ativamente das palestras e limpeza do local. Todas às quartas-feiras, durante duas horas reunimos um grupo e fazemos uma varredura. No começo tinha muito trabalho, mas aos poucos estamos mudando a cultura dos funcionários, que estão mais conscientes e já não jogam copos de plástico no terreno, por exemplo’, relata.
Os agentes de vigilância ambiental da prefeitura também acompanham e fiscalizam o local desde 2010. Com o olhar apurado, eles indicam que mudanças devem ser feitas e orientam a empresa. Suelly Martins, da gerência de Gestão de Projetos Institucionais da MRS, aprecia a ação da prefeitura: ‘Os agentes trazem orientações para questões que muitas vezes passam despercebidas por nós. Foi o caso com as lixeiras que acumulavam água e que nos indicaram furá-las no fundo para evitar o problema. Uma medida simples, de baixo custo e eficaz’.
A empresa também trouxe para a equipe uma consultora em educação ambiental , além de desenvolver obras mais estruturantes, como a da rua de acesso aos vagões em uso que passam pela oficina. O local tende a acumular água, terra e matéria orgânica e necessita de escoamento adequado. Apesar dos custos financeiros que essas medidas de prevenção acarretam, os investimentos devem continuar. Afinal, trabalhador doente e fora do mercado também gera custos às empresas!
Juliana Hack, para o Blog da Saúde
Redes Sociais