Hipertensão é a vilã das gestantes paraenses

98% das mortes maternas poderiam ser evitadas ainda na Atenção Básica e com o pré-natal adequado | Foto: Corbis

Por meio de uma videoconferência realizada com todos os secretários de Estado de Saúde do país, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, comentou nesta sexta-feira (25) pesquisa do órgão pela qual indica que a mortalidade materna no Brasil caiu 21%. O secretário de Estado de Saúde Pública, Helio Franco, e uma das cogestoras da Sespa, Círia Pimentel, estiveram conectados em tempo real na videoconferência, disponibilizada pelo Núcleo Estadual do MS em Belém.

De acordo com a pesquisa, os dados de 2010 no Pará indicam que a hipertensão lidera a causa de morte entre as gestantes, com 29,5%, seguida de hemorragia (9%), infecções pós-parto (5,1%), doenças do aparelho circulatório complicadas pela gravidez pelo parto ou pelo pós-parto (3,8%) e aborto (2,6%).

Segundo a coordenadora estadual de Saúde da Criança, Ana Cristina Guzzo, 98% das mortes maternas poderiam ser evitadas ainda na Atenção Básica e com o pré-natal adequado. Ela disse que é preciso promover saúde com acolhimento humanizado para identificar doenças como hipertensão, diabetes, dentre outras durante a gestação. “Prevenir é a melhor forma. Mesmo no pré-natal, tem como identificar as doenças que representam risco e referenciar às grávidas para unidades especializadas”, destacou.

O levantamento traz, ainda, um comparativo entre o número de óbitos em mulheres grávidas residentes no Estado: em 2009 foram 82, 2010 com 78 e 2011 novamente com 78 mortas. Já nos quatro primeiros meses de 2012, esse quantitativo chegou a 18. Os dados são oficializados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), mas podem aumentar se os municípios estiverem mais empenhados em cumprir os fluxos e prazos especiais para notificação, investigação e registro do óbito materno e de mulheres em idade fértil (MIF), que variam entre 48 horas e até 120 dias.

Por conta dessa adversidade, o Pará configurou-se entre os Estados que, em 2009 e 2010, reduziu a notificação de óbitos de gestantes, com o percentual negativo de 5%. Por outro lado, aumentou em 7% a notificação de mortes maternas até setembro do ano passado, comparado ao mesmo período de 2010.

O protocolo do Ministério indica que morte materna é aquela causada por complicações durante a gestação ou até 42 dias após o fim da gravidez, quando provocada por problemas de saúde como hipertensão, desprendimento prematuro da placenta ou doenças preexistentes, a exemplo das cardíacas, do câncer e do lúpus.

Outros dados preocupantes divulgados pelo ministro Alexandre Padilha dizem respeito às mortes de mulheres em idade fértil, de 10 a 49 anos. Segundo o levantamento, 612 já morreram no Pará, entre janeiro e abril deste ano.

No intuito de avançar na notificação e no gerenciamento das investigações de mortes de mulheres em idade fértil, Alexandre Padilha sugeriu ao secretário Helio Franco uma realização de videoconferência somente com o Estado a fim de aperfeiçoar o novo Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera para Prevenção da Mortalidade Materna.

Outra intenção é também a criação, nos municípios, de comissões comprometidas em manter atualizadas as informações cadastrais de todas as gestantes atendidas nas unidades básicas de saúde. “O objetivo é avaliar as causas e as circunstâncias da morte e verificar se os casos foram provocados por complicações gestacionais”, explica o ministro.

Para Helio Franco, esses encontros virtuais envolvendo o Ministro, a Sespa, o Cosems e os secretários municipais serão essenciais para analisar onde o Pará deve reduzir mais os índices de mortalidade materna, identificando as gestantes de alto risco para realizarem um pré-natal precoce.

Durante a divulgação do estudo, Padilha disse que um outro levantamento feito pela própria pasta no ano passado indica que, de cada quatro gestantes atendidas pelo SUS, uma se queixa de algum tipo de negligência ou maus-tratos identificados no momento do parto.

Ana Guzzo informou que o Estado tem fortalecido as políticas de saúde  voltadas para estas mulheres, dando todo o apoio e suporte para que os municípios paraenses construam seus planos de ação dentro da Rede Cegonha para qualificar a assistência à grávida e ao bebê.
Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Fundo de População das Nações Unidas e o Banco Mundial da Organização das Nações Unidas, divulgado este mês, aponta uma queda de 51% no número de mortes maternas no Brasil entre 1990 e 2010.

De acordo com a coordenadora, a propagação sobre o fluxo de notificação e investigação de óbito materno é de suma importância, como por exemplo, a  criação dos Comitês municipais para a investigação de óbitos no Estado. “Temos que unir forças para identificarmos a situação e aperfeiçoar o sistema. Precisamos de dados seguros para a redução de mortes materna”, concluiu.

Fonte: Ascom/ Sespa

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