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  • publicado
  • Publicado: Quinta, 13 de Abril de 2017, 07h00
  • Última atualização: 13/04/17 10h46

Saúde Indígena do Alto Solimões é referência em imunização para o Brasil

Ação de Imunização na Aldeia Umariaçu II - 24.032017, Tabatinga(AM)

Graças à consolidação de parcerias interfederativas, investimentos em capacitações e à implantação de salas de vacinas em seus 12 Polos Base, o DSEI Alto Rio Solimões se tornou um exemplo em vacinação para o Brasil

 

Mesmo contando com uma das maiores populações indígenas do país, com aproximadamente 55mil habitantes, dispersos em quase 200 aldeias, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Solimões mantém hoje uma das melhores coberturas vacinais do país, com quase 95% de sua população com o esquema completo. De acordo com o coordenador do DSEI, Weydson Pereira, a explicação para um resultado tão expressivo está num conjunto de medidas, que vão desde a parceria interfederativa com os municípios de abrangência, passando pelas constantes capacitações para as equipes de saúde e finalizando com o necessário planejamento logístico.

 

A consolidação de parcerias com os sete municípios onde há comunidades indígenas na região possibilitou a chegada de energia elétrica às aldeias, que, somado aos investimentos logísticos para aquisição de equipamentos, como geladeiras, resultou na implantação de salas de vacina em todos os 12 Polos Base. “Hoje nos orgulhamos de ter sido o primeiro DSEI a implantar salas de vacina em todos os Polos Base”, frisa o coordenador do DSEIARSO, Weydson Pereira.

As salas de vacina permitem ao DSEI manter uma rede de frio para armazenamento, conservação e aplicação de imunobiológicos.  Cada Polo Base, que é responsável pela cobertura assistencial de um quantitativo de aldeias, passa a gerenciar a quantidade necessária de vacinas para aquela região.

“Antes eram necessários sacos e mais sacos de gelo, caixas térmicas de isopor, já que não havia energia elétrica nas aldeias. A todo tempo as equipes precisavam renovar seus estoques e controlar a temperatura para que não houvesse perdas de vacinas. Hoje, com as salas de vacina em cada Polo Base, este trabalho ficou mais fácil e o impacto nos números foi muito bom”, destaca o coordenador.

Atualmente, o DSEI conta com um dos melhores percentuais de cobertura vacinal da saúde indígena, com quase 95% da população com esquema vacinal completo. Além do investimento logístico para consolidação das salas de vacina, merecem destaque as constantes capacitações para as equipes de saúde.

“Nós realizamos três capacitações por ano e focamos, sobretudo, nos nossos técnicos de enfermagem indígenas, já que muitos ainda vivem nas aldeias e ajudam bastante no trabalho de conscientização da comunidade”, explica a responsável técnica pelo Programa de Imunização do DSEI ARSO, Verônica Vasconcelos.

De acordo com ela, o DSEI passa hoje pelo seu melhor momento no trabalho de imunização. “Não vemos mais doenças infecciosas em crianças. Isso também se deve ao trabalho de educação continuada e à dedicação de nossos profissionais, que são abnegados”, ressalta Verônica.

Para Gilberto Manoel Tikuna, que é vice-cacique da aldeia Belém do Solimões, a maior do Amazonas, com mais de seis mil indígenas, a vacinação é uma prova do cuidado e do carinho que os pais devem ter pelos seus filhos. “Todos aqui sabem da importância da vacina. O melhor de tudo é que as crianças que nascem na aldeia já são vacinadas aqui mesmo. Isso é muito bom”, destaca.

DSEI ARSO

O Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Solimões fica localizado no extremo oeste do estado do Amazonas, com sede no município de Tabatinga (AM). É responsável pela assistência a 192 aldeias indígenas, de sete diferentes etnias, que totalizam quase 55 mil habitantes. Cerca de 95% dessas aldeias têm acesso unicamente por meio fluvial durante todo ano, constituindo essa uma das maiores dificuldades logísticas enfrentadas, seja em períodos de cheias ou de secas.

“Isso nos obriga a fazer um planejamento logístico que demande embarcações rápidas para o deslocamento das equipes de saúde; qualificação no gasto com o combustível, procurando otimizar ao máximo estes deslocamentos; bem como a organização da entrada e saída das equipes de área, estruturando jornadas de 20 dias de trabalho, por 10 de descanso”, complementa Weydson.

Fonte: SESAI/MS

 

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