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  • publicado
  • Publicado: Terça, 11 de Julho de 2017, 07h00
  • Última atualização: 11/07/17 12h42

Estudo avalia déficits cognitivos na menopausa

 

eb1Ao longo da vida, a mulher vivencia mudanças de diversas naturezas, como o evento do primeiro fluxo menstrual, da iniciação sexual, da gravidez e da menopausa – a última menstruação, contada 12 meses após o seu acontecimento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2030, cerca de 1,2 bilhões de mulheres terão mais de 50 anos.

Diante deste dado e considerando o aumento da expectativa de vida, admite-se atualmente que a maioria das mulheres deverá viver um terço de suas vidas após a menopausa, período de vida que traz um grande número de consequências, incluindo déficit cognitivo, mudanças nos estados de humor, além de depressão e ansiedade, redução de qualidade do sono e sintomas característicos, como ondas de calor, sudorese noturna, entre outros.

 

O déficit cognitivo pode apresentar relação com os demais sintomas durante esse período da vida. Por isso, a pesquisadora Júlia Aguiar realizou um estudo, em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia do Centro de Biociência (CB) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), para analisar o lado cognitivo das mulheres que estão nesse período da perimenopausa, principalmente no que tange à sintomas de humor, ansiedade, depressão e falha na memória.

Ao todo, foram analisadas 69 mulheres na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), filial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), entre 45 e 55 anos. Das participantes, 58 entraram na menopausa naturalmente e 11 tiveram de se submeter a cirurgia para a retirada de seus ovários e útero, o o que antecipou os sintomas típico desse período.

O desempenho foi avaliado utilizando testes cognitivos para memória verbal episódica, e função executiva, incluindo memória operacional, além de questionário para queixas de memória. Foram também investigados os transtornos de humor (depressão e ansiedade) e a qualidade do sono. A pesquisadora explicou que a pesquisa teve o objetivo de observar como a redução no desempenho cognitivo ocorria e quais as implicações na vida dessas mulheres, uma vez que a literatura mostra que isso, de fato, ocorre.

“Nós buscamos avaliar mulheres que estavam passando pela transição natural dessa fase, a chamada perimenopausa, em que a mulher começa a notar mudanças durante sua menstruação e durante seu ciclo. Então, nós aplicamos instrumentos de análise da qualidade do sono, ansiedade, depressão e memória, com o intuito de verificar como isso estava acontecendo e se desenvolvendo na vida delas”, disse.

Ela comenta que o estudo deu uma maior ênfase na memória das pacientes e a forma como era afetada pelos demais sintomas, focando nas consequências da redução do hormônio estrogênio, que é o protetor em relação a função cognitiva das mulheres. “Direcionamos à mudança de humor e à qualidade de sono, além de utilizarmos um índice climatérico que contabiliza os sintomas da sudorese e das ondas de calor”, explica.

“Quantos aos resultados, constatamos que os sintomas de ansiedade e depressão envolvem as mulheres em um pior desempenho cognitivo e as queixas de memória são frequentes. As próprias mulheres avaliaram suas memórias como pior”, afirma.

A orientadora da pesquisa, Maria Bernardete de Sousa, explana que o tratamento de reposição de hormônios para esse déficit é recomendado e vem sendo estudado para a sua aplicação. “A terapia da reposição hormonal depende de indicação clínica médica. As mulheres passam por alguns critérios de inclusão, como não usar nenhum tipo de medicamento, estar em determinada faixa etária e apresentar sintomas de climatério. A pesquisa deu uma pista que pode reforçar esse objetivo de usar e recomendar essa terapia para a proteção cognitiva da mulher”, disse.

Relato

Maria das Dores Câmara – mais conhecida como Mocinha –, 52, técnica em enfermagem da maternidade, passou pela transição da menopausa entre seus 44 e 45 anos, e relatou os sintomas que teve durante essa fase. “Ela veio com queda de cabelos e de unhas, além de sentir muito cansaço e fadiga. Quando vieram os períodos próximos da perimenopausa, eu fiquei angustiada pois, as menstruações começaram a ficar irregulares e com grandes fluxos. Então procurei ajuda médica”, relembra.

“Fiz todos os exames e iniciei o tratamento de reposição hormonal. A menopausa foi embora de vez, mas ainda continuei com as ondas de calor, o que é normal nas mulheres. Em seguida, notei a questão cognitiva, porque eu abria uma geladeira e não lembrava o que eu ia pegar nela. De repente, eu ia chamar uma pessoa e não acertava o nome após várias tentativas. Eram lapsos de memórias frequentes, mas um fato foi trivial para que eu percebesse o quanto eu precisava de ajuda: fui ao mercado, coloquei a chave do carro na blusa para não cair e depois eu não lembrava onde ela estava. Só duas horas depois eu me lembrei onde eu tinha guardado”, contou.

Mocinha ressaltou que, com o início do tratamento de reposição hormonal, a sua melhora foi bastante visível e que a sua qualidade de vida teve um aumento bastante significante. “Para quem era sedentária, fadigada, desanimada e com 10 quilos à mais, eu comecei a ter mais disposição depois do tratamento, melhorou minha qualidade de vida”.

Sobre a Ebserh

Desde agosto de 2013, a Mejc-UFRN é filiada à Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação, administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Fonte: Portal Ebserh

 

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