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  • publicado
  • Publicado: Terça, 24 de Julho de 2018, 10h39
  • Última atualização: 24/07/18 10h47

SAÚDE CRÔNICA: Doce ilusão

docesDesde de pequena meus pais me ensinaram a ter uma alimentação saudável. Sempre comi muitas frutas, legumes, cereais - tudo in natura. Nada de açúcar e fritura até os sete anos de idade! É claro que não me lembro dos efeitos disso tudo na época, mas sei que era uma criança muito saudável. Não sei como, mas meus pais fizeram um trabalho tão bom que eu não comia doce nem nas festinhas de aniversário! Mas lembro de um episódio que tive essa vontade. Eu estava com mais ou menos dois anos. Pra você entender melhor, voltarei um pouquinho no tempo.

Lembro de crescer ouvindo minha mãe usar a mesma frase sempre que via algum doce. Ela ria e dizia: “- Mmmmmm, que veneno! ” Bom, eis aqui o exemplo de que criança é realmente uma esponja: ela nunca falou isso diretamente pra mim.

Mas, um belo dia, em uma festa de aniversário, serviram bolo de chocolate. Virei pra minha mãe e com aqueles olhinhos pidões, que só criança tem, disse: “- Mamãe, me dá um pedaço desse veneno? ” Na hora todo mundo riu. Eu não entendi nada. Minha mãe me deu um pedaço e não gostei, mas pelo menos matei a vontade. Mais tarde soube que minha pergunta fez pelo menos uma pessoa decidir abandonar o vício de consumir açúcar.

Hoje entendo que os doces nada mais são do que ilusões. Porque toda aquela sensação de bem-estar, tranquilidade e felicidade que temos ao consumi-los cobram a conta momentos depois. Quando o efeito agradável passa, vem a irritabilidade, lentidão... porque lá dentro do nosso corpo o açúcar causa um efeito de êxtase, mas logo em seguida é interrompido. Mas tenho certeza de que você já deve ter lido ou ouvido pelo menos um estudo que mostra que o consumo de açúcar é ameaçador ao organismo. Lembrando que estamos falando do açúcar que não vem da natureza – principalmente os refinados. Esse realmente é um veneno disfarçado. E o disfarce é tão bom que a gente nem percebe que ele está presente em alimentos ultraprocessados – que são aqueles que vêm na comida congelada, temperos, salgadinhos, pães industrializados... além de, claro, refrigerantes, sucos de caixinha, xaropes e muito mais.

É por isso, a Organização Mundial da Saúde, a OMS, incentiva a redução do consumo desse elemento. A recomendação é que açúcar faça parte de apenas 10% de tudo que é consumido no dia. A dica da OMS é a mesma que recebi desde criança: fique longe dos “venenos” disfarçados, prefira alimentos preparados da forma mais natural possível.

Para mim, os conselhos fizeram diferença. Mesmo depois de ficar mais velha, não consumo tantos doces assim. Na verdade, nem gosto. Pra vocês terem uma ideia, meu chocolate preferido é aquele com 70 % (ou mais) de cacau. Mas claro que não estou falando isso pra dizer que sou melhor, ou que minha saúde é de ferro – longe disso. Estou contando uma experiência que resultou em maior facilidade de controlar meu peso, a não ter cáries e prevenir diabetes – mesmo em uma família em que quase todos os membros têm a doença. Claro que existem outros resultados bem bacanas que valem a pena. O mais legal é que com o passar do tempo, nosso cérebro fica mais esperto e aprende a não ser iludido tão facilmente.

Por Aline do Valle

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