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  • publicado
  • Publicado: Sexta, 24 de Agosto de 2018, 18h28
  • Última atualização: 30/08/18 14h49

Poliomielite - “Filho protegido é filho vacinado”

 Ricardo Gadelha teve poliomielite antes dos dois meses de vida e convive com as sequelas do vírus desde então. Ele alerta pais e responsáveis sobre a importância de levar as crianças para serem vacinadas, para que nenhuma tenha que viver as consequências da pólio

polio gadelhaNa fase final da campanha contra o sarampo e a poliomielite, que se iniciou dia 6 de agosto, mais de 4 milhões de crianças de um a menores de cinco anos precisam ser vacinadas, em todo o Brasil. Até o final de agosto, o Ministério da Saúde espera vacinar 11 milhões de crianças contra as duas doenças.

Recentemente, a cobertura vacinal para poliomielite, na rotina do calendário de vacinação, fez o Ministério da Saúde emitir alerta para os municípios com menos de 50% das crianças vacinadas.

O último caso de doença no Brasil foi registrado em 1989. Por isso, muita gente não sabe o que é essa doença, também conhecida como paralisia infantil. As principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos.

O cirurgião dentista Ricardo Gadelha, de 44 anos, teve poliomielite antes dos dois meses de vida. Por isso, ainda não tinha recebido a primeira dose da vacina. Como sequela do vírus, ele tem atrofia muscular principalmente na perna esquerda, embora também tenha consequência na perna direita. O caminhar é manco e usa bengala e algumas situações. 

“Eu só não nasci com a pólio, mas aprendi a conviver com as sequelas. Até mesmo porque eu nunca soube o que é caminhar dentro dos padrões da normalidade. No meu caso, eu adquiri antes mesmo da primeira dose da vacina, que é aos 2 meses. Eu não tive acesso a vários esportes, várias outras oportunidades que eu deveria ter eu não tive em virtude da paralisia. A vacina é única prevenção”, alerta Gadelha, que compartilhou sua história durante o lançamento da Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite e Sarampo.

As sequelas da poliomielite estão relacionadas com a infecção da medula e do cérebro pelo poliovírus. Normalmente correspondem a sequelas motoras e não tem cura. Mas tem prevenção.

Vacinação contra poliomielite

“O grande apelo que eu faço aos pais é que, de fato, levem os seus filhos para serem vacinados, independentemente de crenças, de boatos que falam. A vacina é sim a melhor forma de prevenção. Filho protegido, sem dúvida, é filho vacinado”, alerta Ricardo Gadelha. Pai de dois filhos, ele garante que as crianças estão com a vacinação em dia. “Eu não desejo nem essa sequela e nem sequelas mais severas a nenhum dos brasileiros. Se a gente não melhorar essas coberturas vacinais do nosso país, corremos um grande risco da reintrodução da poliomielite, da paralisia infantil no nosso país”, adverte.

O Brasil está há 29 anos sem casos de poliomielite, por causa do sucesso das campanhas nacionais de vacinação, que têm o famoso Zé Gotinha como mascote. Com cobertura vacinal alta, mais de 95% das crianças vacinadas, o vírus para de circular e até crianças que ainda estão vacinadas ficam protegidas.

“Se nós tivermos todas as crianças vacinadas, nós criamos a imunidade de grupo. Então, a doença não tem a possibilidade de circular no nosso país. E assim, protegemos aquelas crianças que ainda não têm a possibilidade de receber a vacina”, explica a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues. A campanha de vacinação contra sarampo e poliomielite segue, em todo o Brasil, até 31 de agosto. Devem ser vacinadas todas as crianças de um ano a menores de cinco anos.

No Calendário Nacional de Vacinação, a proteção contra poliomielite começa com a vacina injetável, administrada ao dois, quatro e seis meses de vida. Depois, a criança receberá duas doses de reforço: aos 15 meses e aos 4 anos de vida.

Transmissão

A poliomielite é pode ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra. A transmissão do vírus se dá através da boca, com material contaminado com fezes (contato fecal-oral), o que é crítico quando as condições sanitárias e de higiene são inadequadas.

Crianças mais novas, que ainda não adquiriram completamente hábitos de higiene, correm maior risco de contrair a doença. O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação da água e de alimentos por fezes.

A doença também pode ser transmitida pela forma oral-oral, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. O vírus se multiplica, inicialmente, nos locais por onde ele entra no organismo (boca, garganta e intestinos). Em seguida, vai para a corrente sanguínea e pode chegar até o sistema nervoso, dependendo da pessoa infectada. Desenvolvendo ou não sintomas, o indivíduo infectado elimina o vírus nas fezes, que pode ser adquirido por outras pessoas por via oral. A transmissão ocorre com mais frequência a partir de indivíduos sem sintomas.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), três países ainda são considerados endêmicos (Paquistão, Nigéria e Afeganistão). O Brasil está livre da poliomielite desde 1990. Em 1994, o país recebeu, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem.

Principais sequelas da poliomielite

• Problemas e dores nas articulações;
• Pé torto, conhecido como pé equino, em que a pessoa não consegue andar porque o calcanhar não encosta no chão;
• Crescimento diferente das pernas, o que faz com que a pessoa manque e incline-se para um lado, causando escoliose;
• Osteoporose;
• Paralisia de uma das pernas;
• Paralisia dos músculos da fala e da deglutição, o que provoca acúmulo de secreções na boca e na garganta;
• Dificuldade de falar;
• Atrofia muscular;
• Hipersensibilidade ao toque.
As sequelas da poliomielite são tratadas com fisioterapia, por meio da realização de exercícios que ajudam a desenvolver a força dos músculos afetados, além de ajudar na postura, melhorando assim a qualidade de vida e diminuindo os efeitos das sequelas. Além disso pode ser indicado o uso de medicamentos para aliviar as dores musculares e das articulações.

Por Luiza Tiné, para o Blog da Saúde

Foto: Erasmo Salomão/MS

 

 

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