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  • publicado
  • Publicado: Terça, 15 de Janeiro de 2019, 17h33
  • Última atualização: 17/01/19 15h32

Discurso de posse do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Brasília (DF), 02 de janeiro de 2019.

Boa tarde a todos os amigos e a todas as amigas que vieram a este momento de profunda transformação do nosso país.

Neste momento em que se inicia um ciclo de trabalho, muitas vezes as pessoas têm a curiosidade de saber de onde vem o ministro, qual a sua trajetória, por que chegou até aqui? Não se chega a um cargo de tamanha responsabilidade sem ter um compromisso muito grande com a família, com a fé, com o país, com a noção de pátria. Aqui, eu agradeço profundamente o presidente Jair Bolsonaro por ter me confiado tão nobre missão. E é justo que eu diga a vocês de onde venho.

Eu venho de uma luta muito dura travada neste país, fruto dos imigrantes. Imigrantes que vieram pela luta da terra, da minha família Barbosa. Imigrantes que vieram da luta dos Italianos, dos Mandettas, dos Solari, dos Tuzani. É dessa mescla que eu venho. De uma família muito unida, com meu pai aqui presente, Hélio Mandetta, e minha mãe, Maria Olga Solari. Uma família de cinco irmãos – eu sou o caçula. De uma família em que todos são líderes: meu irmão mais velho é médico, advogado e empresário; minha irmã, bióloga, pesquisadora da Fiocruz, a Maísa; a minha irmã Miriam, professora da Universidade Federal de São Paulo, enfermeira; a minha irmã Marta, empresária do ramo imobiliário e pedagoga; e eu. Éramos cinco. Cinco a procurar insistentemente um espaço a mais, um quinhão a mais, uma luta a mais dentro daquela casa, para sermos protagonistas de uma casa de líderes.

A infância em uma Campo Grande (MS) dos anos 60, onde a paz reinava. Era uma cidade pequena, mas sempre em busca do desenvolvimento, do progresso. Ali, forjei amigos, amigos da infância. E hoje um amigo, o meu primeiro amigo, Paulo Roberto, está aqui presente e representa todos os amigos que a vida me trouxe e que nada, nem o tempo, nem a distância, foi capaz de abalar.

Eu venho do Colégio Dom Bosco. Aqui está presente o padre José Marinoni, que era padre quando eu comecei naquele colégio. Muito obrigado, Padre José Marinoni. É do pátio do Colégio Dom Bosco que saíam os grandes líderes da minha geração. Parabéns pela maneira como vocês conduziram aquela juventude extremamente aguerrida. Não vou aqui confessar quantas vezes lhe dei trabalho. Mas também era pedir demais para que eu me comportasse, em um ambiente tão provocativo, como era o Colégio Dom Bosco.

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O Colégio Dom Bosco que me levou para o Rio de Janeiro, onde fiz vestibular para medicina. O meu pai é médico e com muitos amigos médicos, eu cresci cercado de grandes referências – poderia citá-los aqui indefinidamente. Fui fazer medicina. Aqui um cumprimento aos amigos de Teresópolis e aos meus amigos da Universidade Gama Filho. Foi lá que nós nos deparamos com os grandes mestres. É na academia que se forja. Medicina não se ensina por atacado. Não se aprende de orelhada. Aprende-se observando o comportamento dos mestres, olhando muitos livros, por repetição, e jamais, em hipótese alguma, aceitando verdades absolutas. Nós questionamos tudo. Porque só temos uma certeza que é a nossa ignorância frente a essa eterna luta da vida contra morte.

Lá na Universidade Gama Filho que, desde o primeiro dia, eu olhei para o banco do lado e achei aquela médica, amiga, amada companheira, com quem me casei. É a Terezinha, minha médica, minha amiga, minha companheira nesses anos todos. Nós somos da mesma turma. Médicos tem muito isso: eles casam com médicas, porque eu acho que são as únicas que conseguem entender as ausências absolutas. Mas, entre todas essas ausências, nós demos conta de ter três filhos: a Marina, minha advogada; o Pedro, que é médico, está fazendo as provas de residência Brasil afora; e o Paulo, acadêmico de direito lá na USP. Esses meninos sempre viveram dentro desse ambiente questionador. Eu nunca os tratei sem que a opinião deles pudesse ser colocada em discussão, em cada momento de cada dia daquela casa. A Marina casou com Maurício, me deram o Gabriel. Eu sou avô de um craque. Com certeza, mais um na grande torcida do Botafogo. E ai de quem falar do Botafogo, porque o presidente é botafoguense.

É desse núcleo familiar que nós saímos, eu e a Terezinha, para fazer uma pós-graduação. Eu em ortopedia, e ela em clínica médica. Aí, eu encontrei meu pai. Eu não encontrei o meu pai que me contava histórias. Eu encontrei o maior mestre da minha vida. O maior cirurgião que vi operar. Um homem que comandava como um maestro. Fui seu aluno: ética, foco, disciplina, correção, exemplo, ciência. Aquilo foi muito forte. Dali, eu fui servir o exército brasileiro. Eu fui para o hospital militar de Campo Grande. Um ano. Recomendo essa experiência a todos os jovens médicos brasileiros. A todos aqueles que vão ver pela primeira vez uma noção de sistema de saúde extremamente organizado, onde fiz e tenho até hoje grandes amigos.

De lá do Hospital Militar, eu fiz concurso e fui admitido na Santa Casa. E aqui o meu respeito a todas as Santas Casas do país. Eu nunca encontrei na minha vida um hospital de porta aberta para atender a todos como são as Santas Casas brasileiras. Não importa se são ricos ou pobres. Mesmo muito antes do nosso querido Sistema Único de Saúde, elas estavam lá.

De lá, eu senti a necessidade de dedicar minha vida ao esqueleto em crescimento, ao movimento. Eu nunca aceitei que uma criança não tivesse a oportunidade de ter a sua realização através do movimento. Fiz a prova e fui para os Estados Unidos, para o Scottish Rite Hospital for Children, com meu grande mestre, professor Raymond Morrissey.

Eu passei a fazer a medicina integralmente voltada às crianças e adolescentes que me procuravam. Eu conheci a rede Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e a grande luta da sociedade brasileira para prover atendimento de qualidade para essas crianças. Eu me tornei “Apaeano” e entrei também no sistema Pestalozzi, aos quais reverencio e agradeço muito pelo trabalho que a sociedade faz silenciosamente por dentro desse país. Através desse trabalho que fazíamos dentro da Santa Casa, montei o ambulatório de ortopedia pediátrica e trabalhei durante 10 anos, podendo colaborar com algumas técnicas cirúrgicas, que foram muito bem ampliadas e remodeladas pelo meu amigo Santili, na Santa Casa de São Paulo.

Da Santa Casa, da ida aos Estados Unidos, dessa medicina em alto nível, um dia um grupo de médicos decidiu fazer uma chapa somente para fazer oposição aos que estavam no comando da Unimed, que era nossa cooperativa de trabalho médico. Aconteceu que, com mil e trezentos e poucos votos, fui eleito presidente da Unimed de Campo Grande e conheci a força do cooperativismo. Vai aqui o meu respeito à OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e a todos aqueles que militam no cooperativismo como forma de realização. Não do eu, não do você, mas do nosso como instrumento de construção coletiva para a execução de inúmeras frentes.

Como eu senti carência de conhecimento, lá na Unimed eu resolvi fazer outra pós-graduação para entender um pouco sobre a gestão de sistemas de saúde, na Fundação Getúlio Vargas. Agradeço a Fundação Getúlio Vargas. Nossa diretoria foi histórica na Unimed. Talvez o maior trabalho feito desde que ela havia sido fundada, há 30 anos antes. Foram grandes realizações, frutos de equipe. Nunca esqueço das equipes, dos rostos das pessoas, que trabalharam comigo em todos esses locais.

Daquele trabalho, surgiram inúmeros frutos e um convite para assumir a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (MS). Assumi no dia primeiro de janeiro de 2005. Lá, permaneci por cinco anos. Foram tempos de enfrentar e conhecer a vida como ela é. Meu respeito a todos os secretários municipais de saúde, que são o para-choque do sistema. Onde o cidadão bate à porta. Onde não há mais a quem reclamar. Aqui o meu respeito a todos os prefeitos e a todos os vereadores do Brasil, que são também elementos de cidadania e de acesso a um sistema tão cheio de portas fechadas para o acesso.

Lá na secretaria, nós trabalhávamos pela primeira vez com um plano de contas revolucionário, que marcava cada real com os indicadores. Ora, se me dizem que saúde não é gasto, é investimento, como investidor, eu tenho que saber quanto que retorna. Então, ali nós começamos a fazer uma gestão por indicadores de resultado, chamada gestão clínica. Nós olhávamos nos indicadores. Tinha lá “atenção básica”, “programa dos diabéticos”, “gastos com pé-diabético”. Quantos pés-diabéticos foram vistos? 100%. Se foram vistos 100% dos pés-diabéticos, temos de ter redução nas amputações. Quando medíamos as amputações que aconteciam lá nos hospitais, com o que acontecia na atenção básica, achava um fosso. Ao aproximar esses dois números e cobrando resultados em reuniões periódicas, a cada 90 dias, comigo e todas as unidades de saúde, nós fomos transformando.

Fizemos a maior redução de mortalidade infantil. Fomos a primeira cidade a baixar para um dígito. Fizemos a redução dos 186 indicadores de saúde. As melhores performances. Na área de saúde bucal, fomos três vezes a referência nacional, com prêmios nacionais. Estruturamos a linha de pesquisa para leishmaniose. Lá, enfrentei epidemia de dengue, enfrentamos a recuperação da malha hospitalar.

Foram tempos intensos de trabalho pelo SUS e é através da Secretaria Municipal de Saúde que se tem contato pela primeira vez com o Ministério da Saúde, com esta casa que me recebeu com tamanho carinho, com tamanha paciência, com uma equipe muito forte de educação continuada. Em nome da Cleusa Bernardo, quero cumprimentar todos os funcionários do Ministério da Saúde. E minha amiga Cristina do Amaral, que hoje está no Conass, que recebeu e organizou inúmeros momentos deste Ministério da Saúde para com a ponta do sistema, de onde a gente enfrentava.

Eu era secretário municipal de saúde e tive a honra de trabalhar no município ao mesmo tempo em que trabalhava na secretaria estadual de saúde Beatriz Dobashi. Talvez, o sistema de saúde brasileira ainda tenha muito o que reverenciá-la pela qualidade do seu trabalho. Eu agradeço muito aos conselhos e a política pública de saúde que aprendi com ela.

A todos aqueles que trabalham dentro deste ministério, meus cumprimentos pela forma aguerrida com que perseguiram todos esses anos. A fala do ministro Occhi mostra uma continuidade de políticas a serem seguidas por esta equipe que agora chega. O SUS é uma continuidade de saberes. Meu respeito a todos os funcionários do Ministério da Saúde, aos ex-ministros da Saúde, a aqueles que são da fase SUS e a aqueles que trafegam na história, no nosso imaginário, nos inspirando, como Oswaldo Cruz, Adolfo Lutz, Vital Brasil, que inspiraram toda uma geração de pensadores brasileiros que pensam, buscam e sonham em fazer a diferença para o povo brasileiro.

Em 2010, eu deixei a Secretaria Municipal de Saúde para cumprir mais um ciclo. A ousadia de me juntar a um grupo de jovens, um grupo de pessoas da saúde pública da minha cidade, do meu estado, para fazermos uma representação na Câmara Federal.

Nós sabemos que a política é o caminho de solução. Aqueles que negam a política estão negando a si mesmo, estão negando as suas convicções, estão negando a sua cidadania. Participem da política, da política bem-feita, com “P” maiúsculo. Procurei um partido em que pudesse ser oposição, intencionalmente. Me filiei ao Democratas. Sem nunca ter tido qualquer cargo, nem de vereador, nem deputado estadual, me atrevi a ser candidato a deputado federal.

Eu queria muito participar da discussão na casa de leis, cuja a competência é discutir o SUS, as Agências Nacionais de Saúde. É onde havia a possibilidade de discutir a Anvisa, de discutir toda a política de saúde. Era naquele ambiente. Mais uma vez, por muito mais generosidade dos pares do que qualidades, fui eleito em 2010, na minha primeira eleição. Para cá, cheguei com 78.800 votos, para o meu primeiro mandato de deputado federal.

Lá, conheci líderes da saúde. Não só aqueles que militam na ponta, como secretários municipais, como secretários estaduais, aqueles que têm desafios constantes. Mas aqueles que organizaram frentes parlamentares. Frentes parlamentares temáticas, como a nossa frente parlamentar da Saúde. Foi ali que criamos a frente parlamentar da pessoa com deficiência. Meu abraço e todo o meu respeito a minha querida amiga. E ali que encontrei Antônio Brito, fazendo todo o debate e organização da Frente Parlamentar das Santas Casas, quando consolidamos, no ano de 2012, a dívida das filantrópicas e forçamos para que as casas e os governos se curvassem frente à enormidade da dívida construída por políticas malfeitas, que subfinanciam as Santas Casas de maneira pernóstica. Nós vamos juntos resgatá-las.

Foi ali que conheci a Frente Parlamentar do SUS. Ali na Comissão de Seguridade Social, onde até aqueles que são adversários no campo das ideias, nos campos ideológicos, têm meu respeito pela qualidade do debate. Juntos debatemos em campos opostos, muitas vezes, mas sempre com respeito. A crítica tem que ser fundamentada. E verdade se combate com verdade. Ciência se combate com ciência. Nada além disso. O meu respeito a todos os parlamentares do PT e do PC do B que eu encontrei, com quem tive grandes debates, muitas vezes em campos ideológicos opostos, mas sempre apostei e sempre apostamos na democracia, no diálogo, como forma de discorrer sobre as nossas profundas diferenças, principalmente na gestão, principalmente no conceito do que é, até onde se vai, em nome das suas convicções. Então, eu respeito todos aqueles que militaram na comissão de Seguridade Social e Família nesses oito anos como deputado federal.

Ali tive oportunidade de também me eleger para o Mercosul e lá no Mercosul também fazer parte da comissão de assuntos sociais e saúde para Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Discutíamos as diferenças profundas entre o currículo e a formação de enfermeiros, nutricionistas, médicos, farmacêuticos que se dá em nossos países, e que de alguma maneira precisamos trazê-las para um nível de igualdade para que a integração da América do Sul e Latino Americana possa ocorrer sem que haja nenhum tipo de perda para a sociedade.

Oito anos nessa comissão, oito anos militando dentro do partido Democratas. Um partido que iniciávamos em 2010 com um tamanho e, de repente, muitos apostavam que o partido iria acabar. Muitos torciam para que o Democratas deixasse de existir. Era como se fosse necessário que aquele partido, com tão poucas pessoas, não mais falasse o que tinha que ser dito. Nós ficamos em 21. Eu me orgulho de cada um e me orgulho de lá ter permanecido. Porque permanecemos em nome da democracia brasileira. Ali, auxiliamos muito a democracia brasileira.

No final de 2013 e começo 2014 fui à reeleição e o meu estado me concedeu um segundo mandato e novamente permaneci naquela Câmara. Não a Câmara “Ave César”, mas a Câmara anti César, do Parlamento Altivo, ao qual me reverencio sempre que olho para aquele Parlamento. Sei que, inúmeras vezes, serei convidado, por uma questão política, para não ser convocado. Mas convocado ou convidado, estarei sempre muito presente na Câmara e no Senado da República, me encontrando com os atores políticos que representam a nossa sociedade, via mandato popular.

Esse ano de 2018, decidi não mais participar das eleições. Entendi que era o momento de ajudarmos algumas caminhadas. Uma caminhada em particular me desafiou muito no ano de 2018. Um grande líder político, uma pessoa com quem nutro profunda amizade, caminhava-se para ser candidato ao Governo do Estado de Goiás. Meu amigo Senador Ronaldo Caiado. Participei timidamente, colaborando mais com sugestões para o candidato que me pediu sugestões.

Um candidato que teve a humildade de chegar e falar assim: “Quais são as linhas principais? Como pensam os parlamentares que militam na área da saúde?” A primeira vez que alguém me pergunta como setor, o que vocês esperam. Era o então candidato Jair Bolsonaro. Eu disse a ele algumas das nossas teses mais caras e mais intensas. Foi o único candidato que colocou no seu programa de governo que, para estruturar o SUS, nós trabalharemos com carreira para a saúde pública brasileira. Isso está no seu programa de governo, o que é ímpar em todas as caminhadas de candidatos a Presidente da República. É ali que sinaliza fortemente a prevenção, a promoção, a reestruturação da atenção básica como caminho de estruturação da rede. Um candidato que vence as eleições calcado em princípios, em valores, em conduta. Não em detalhamento de programas de governo, mas em valores e princípios que calam muito fundo na alma do povo brasileiro.

Eu não tinha grande amizade com o presidente Jair Bolsonaro, mas nutrimos mutuamente muito respeito um pelo outro, pelas suas posições. Fiquei extremamente feliz em vê-lo eleito presidente da República Federativa do Brasil. Vamos escrever uma nova página juntos frente a esse ministério, e ele na Presidência da República.

Dito isso, agora vocês já sabem de onde vim e onde estamos. Estamos aqui, no dia de hoje. O resto é passado, é memória, é base. Estaremos juntos, sabendo de onde viemos, sabendo onde estamos e vislumbrando os pontos de onde queremos chegar.

Nós queremos e iremos cumprir um desafio constitucional, que saúde é um direito de todos e dever do estado. Não tem retrocesso, não tem volta da nossa máxima constitucional. Nós vamos cumprir a Constituição Brasileira. É isso que me pede o Presidente da República e é isso que eu peço a cada um dos senhores, que nós estamos todos debaixo desse guarda-chuva.

Não existem verdades absolutas, a não ser as constitucionais. As infralegais temos e iremos discutir, principalmente o conceito de equidade. Muitas vezes vemos o conceito de integralidade do nosso sistema de saúde ser rapidamente absorvido à universalidade. Inúmeras ações judiciais argumentam a máxima constitucional e nos dizem que é universal e é integral. O pilar da equidade é relativizado. A equidade é onde o país deve encontrar a sua racionalidade para fazer mais por quem tem menos, e transformar o desigual em igual. Não será com arroubos de decisões individuais, não respeitando o direito coletivo, que chegaremos a cumprir o nosso tripé. Portanto, o conceito de equidade deverá ser melhor observado e talvez tratado pelo próximo parlamento para que possamos dar luz a um dos sistemas pilares do Sistema Único de Saúde.

Para onde vamos? Nós vamos para a redução de gastos. Eu quero agradecer ao Gabardo, que aceitou o desafio de vir a esta equipe, com sua experiência de Sistema Público de Saúde. Ele vem para a secretaria-executiva do Ministério da Saúde, onde a transparência, a essencialidade, a legalidade e a moralidade do gasto público serão o norte. Cada centavo economizado por este Ministério da Saúde tem que ir para o objeto fim, que é a assistência. Não dá para gastar dinheiro sem saber. O Ministério é muito grande, de orçamento muito grande. É muito fácil de esquecer que mil reais é dinheiro. É muito dinheiro e nós vamos atrás de cada centavo deste Ministério da Saúde e vamos colocar dentro da assistência. Isso vai ficar muito sobre os ombros do Gabardo, que vem para me ajudar como secretário-executivo neste Ministério da Saúde.

Nós vamos direcionados dentro da nossa Secretaria de Assistência à Saúde (SAS), que tem como objetivo toda a integralidade da assistência, que está com o Francisco frente à SAS. Francisco continua a nos ajudar. É importante o princípio da continuidade administrativa. Nós estamos com os prefeitos no meio dos seus mandatos, e muitos projetos em execução. Mas importante deixarmos aqui claro que dentro do conceito amplo de assistência à saúde, deveremos ter duas: uma Secretaria Nacional de Atenção Básica, porque atenção básica terá que ser o norte do nosso sistema de saúde. Meu compromisso com a atenção básica é integral, durante este período no Ministério. Então, a SAS deverá ter a Secretaria Nacional de Atenção Básica e a Secretaria Nacional da Média e Alta Complexidade, da parte hospitalar.

Também, ao lado da SAS, a Saúde Indígena, onde continua o nosso secretário nacional Toccolini. Ali nós iremos fazer um debate. Não está bom a maneira como está estruturado. Nós temos quase um sistema de saúde paralelo, improvisado, sem termos os devidos controles por parte do estado. Estamos com indicadores de saúde muito aquém do minimamente aceitável, pelo valor que é gasto dentro da saúde indígena. Então, nós iremos reestruturar e aqui eu peço especial atenção de companhia do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), para que esse olhar possa ser muito qualificado, porque acho que já erramos muito em 500 anos de história com as populações indígenas e não devemos mais errar por não assumirmos que temos de fazer um sistema extremamente humanitário, sim, mas racional e tratar os índios como personagens, como cidadãos do seu tempo, que vão nos ajudar a construir o sistema de saúde. Nós iremos, junto com a ministra Damares (Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos), rediscutir a questão da saúde indígenas. Conto muito também com a experiência do nosso ministro Osmar Terra (Ministério da Cidadania) na questão de cidadania. Com o nosso ministro-geral Santos Cruz, com quem juntos já iniciamos algumas discussões de logísticas da Amazônia, questão de voos, questão da assistência, de como fazer o transporte, de como organizar o sistema. Então, espero muito dessa releitura da saúde indígena. Faço aqui um agradecimento especial por ter aceito esse desafio.

Hoje aqui eu nomeei Danizar Vianna. Formado na minha mesma turma de medicina, cuja a vida nos levou a caminhos diferentes - eu fui para campo grande e ele permaneceu no Rio. Ele começou a se envolver com a questão de custos, precificação, incorporação de tecnologia e lá na frente nós nos reencontramos. Ao conversarmos sobre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação no SUS, o compartilhamento de risco será doravante uma tônica, e isso serve para toda a indústria farmacêutica e todos aqueles que querem atender o SUS. Acostumem-se a nos convencer através da ciência, da verdade, da redução do gasto. Porque lá da SCTIE estará meu amigo Danizar Vianna. Agradeço muito, Denizar, o seu aceite a esse enorme desafio dessa secretaria tão decisiva, que costumo chama de Ministério da Saúde do amanhã, que é onde toda inovação tecnológica ocorre.

Eu quero agradecer ao Wanderson. Wanderson é enfermeiro, pós-graduado, mestrado, doutorado. Uma das maiores referencias nacionais, e posso ousar dizer também internacionais. Todo o setor da vigilância em saúde aguardava como iríamos estruturar a SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde). Nós iremos reorganizá-la para que a SVS seja a bússola, a norteadora das nossas tomadas de decisões, através da organização do sistema de vigilância, muito mais organizado, mais atento e célere. Onde as preocupações que temos é muito mais organizá-la como vigilância do que executora de algumas políticas que, historicamente, lá ficaram. Vigilância vai fazer vigilância e vai fazer muito bem-feita. O desafio ali é muito grande e muito intenso.

Eu agradeço também a minha amiga Mayra. A Mayra que foi, durante muito tempo, médica de um Sistema de Saúde. Se viu desafiada, com um grupo de médicos, a tomar as rédeas das políticas de saúde do seu estado, da política de saúde do sindicato dos médicos do Ceará. Eu estive presente na sua posse, pela maneira magnífica como trouxe um enorme comprometimento das pessoas. À frente do sindicato dos médicos, fez um trabalho muito intenso nas negociações, na organização da força de trabalho daquele estado tão importante. Também saiu da sua zona de conforto, também se candidatou. É mulher, é guerreira e eu tenho certeza que fará um grande trabalho na Sgets (Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde). Muito obrigado por você ter aceito o convite, minha amiga Mayra.

Na Secretaria de Gestão Participativa, que a gente imagina que é dela que nascerá as condições para a gente fazer a Secretaria Nacional da Atenção Básica, o Erno. O Erno é Secretário de Saúde de Porto Alegre (RS) e hoje aqui foi indicado como secretário da Gestão Participativa, que vem com todo conhecimento de atenção básica e de rede, com grandes desafios. Nós queremos reaproximar e reconstruir pontes neste ministério com a medicina, que está muito afastada, com associações médicas brasileiras, com as sociedades brasileiras aqui representadas pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, pelos profissionais e conselhos de farmácia, enfermagem, pelos psicólogos, toda equipe da nutrição, assistência social, fisioterapia, terapia ocupacional. Em breve, nós traremos também para dentro desse Ministério a educação física. Porque eu acredito firmemente que o esporte comunitário como combate ao sedentarismo, obesidade a hipertensão vai ser um dos pilares desse Ministério da Saúde. E aqui eu já peço ao ministro dos Esportes que nos auxilie nessa luta.

Um especial agradecimento, um abraço, aos agentes comunitários de saúde de endemias de todo país. Eu os liderei nas suas lutas dentro do legislativo. Por favor, nos ajudem agora a liderar a maior revolução da história da atenção básica brasileira. Conto com cada um de vocês. Aqui quem lhes pede, que lhes fala, é antes do seu parlamente, do seu ministro, aquele que viveu suas agruras, seu amigo, agora ministro. Nós vamos trabalhar juntos. Agentes comunitários de saúde e de endemia do Brasil, vamos trabalhar muito juntos nessa luta.

Peço especial atenção à equipe, a nossa rede sanitária. Não é possível municipalizarmos a saúde como municipalizamos para alguns municípios que não têm escala de compra, não têm equipe técnica. Então, nós iremos redividi-los e trabalharemos para dar escala e para dar poder de decisão sanitária aos diferentes municípios brasileiros.

Peço especial atenção da equipe à informatização desse Ministério e de todas as estruturas de saúde. Não é mais possível o sistema de saúde ser um voo no escuro, sem equipamento. Quem não tem informação, não gere. Gerir é medir. É métrica, é ter a paciência de diariamente ir atrás dos resultados. Preciso de sistemas fortes e que tenham capilaridade. E aqui vai o desafio ao DataSUS, que saiamos da zona de conforto do “isso não dá” e passamos ao “isso é o necessário para o nosso país”.

Peço especial atenção à política da pessoa com deficiência. Eles estão na ponta do sistema e é ali que a equidade se fala de uma maneira tão alta todos os dias.

Peço e desafio nosso Ministério a criar as condições para termos o terceiro turno de saúde na atenção básica brasileira. O trabalhador sai para trabalhar à 5h, 6h, da manhã e o posto está fechado. Ele passa o dia inteiro trabalhando, a mãe passa o dia inteiro trabalhando. Ela volta para sua às 6h da tarde e o posto já fechou. É preciso ter um turno para que essas unidades de saúde se adequem aos tempos modernos, que a mulher saiu para trabalhar, que o homem saiu para trabalhar, e os filhos ficaram sozinhos. Vamos atrás.

Peço especial atenção da equipe ao Programa Nacional de Imunizações, que já foi um grande orgulho, um grande pilar, desse sistema. Vamos transformar a carteira de vacinação. Temos tantas oportunidades, não fazer ela um empecilho, mas um cartão de cidadania. Não pode uma criança não ser vacinada porque um adulto relativiza sua responsabilidade. É ela que será acometida. Nós estamos com sarampo, entrou por Roraima, já entrou no Manaus, em Belém. Não me surpreenderia, se nós ficarmos calado e não formos atrás de uma reação muito grande para vacinar nossos habitantes, que o Brasil perca o conceito de área livre de transmissão do sarampo, e que isso seja estendido às américas. Eu peço aqui a Opas (Organização Pan-americana de Saúde (Opas/OMS) que se some ao Brasil nesse esforço de rapidamente recolocarmos os níveis vacinais brasileiros em patamares compatíveis com quem tem um sistema de tamanha grandeza e responsabilidade.

Peço uma especial atenção para todos os nossos membros, das nossas equipes, às políticas que podem se somar ao sistema privado de saúde. O sistema complementar faz parte do sistema nacional de saúde. Peço à Agência Nacional de Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária que trabalhe vislumbrando que queremos sim um sistema privado também forte, mas solidário e com menos queixas dos nossos consumidores. Com mais apelo a pessoas de terceira idade, que têm muita dificuldade de acesso e trânsito dentro do sistema suplementar. Não há volta, mas há melhoria. Há muito espaço para melhoria e eu vou estar muito presente nesse debate, junto à sociedade brasileira.

Enfim meus amigos, é um desafio muito grande. Há um pouco de onde vim, há um pouco de onde estamos e um pouco de onde queremos ir. Aqui, todos nós queremos, no fundo, é ser feliz.

Fernando Pessoa disse o seguinte: - Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes. Mas não me esqueço que minha vida é a maior empresa do mundo e que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

E vai aqui o meu respeito à imprensa livre, que muitas vezes erra. Mas a prefiro livre e justa do que eventualmente censurada. Pedras no caminho, guardo todas. Um dia vamos construir um castelo. Muito obrigado. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.

Vamos construir o SUS juntos.

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