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Entenda o SUS
  • publicado
  • Publicado: Quinta, 21 de Setembro de 2017, 12h52
  • Última atualização: 21/09/17 15h07

21 de setembro - Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência

O esforço para seguir lutando por questões como igualdade de oportunidades, respeito às diferenças e inclusão social faz dessas pessoas, e seus familiares, vencedoras a cada dia

deficiencia 170921“Aquilo que não me mata, me fortalece”, escreveu o filosofo alemão Friedrich Nietzsche. No século XIX, o contexto era outro, mas se encaixa perfeitamente na superação das barreiras que surgem no cotidiano e ao longo de toda a vida das pessoas que possuem algum tipo de deficiência. O esforço para seguir lutando por questões como igualdade de oportunidades, respeito às diferenças e inclusão social fazem dessas pessoas, e seus familiares, vencedoras a cada dia. 

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 80% das pessoas que vivem com alguma deficiência moram nos países em desenvolvimento ou emergentes, como o Brasil. Por aqui, mais de 45 milhões de pessoas tem algum tipo de deficiência, o que corresponde a quase 24% da população, como revela a última pesquisa Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que, em todo o mundo, 150 milhões de crianças menores de 18 anos têm alguma deficiência. Mas o que não é apresentado em nenhuma estatística ou pesquisa é a quantidade de pessoas que sofrem preconceito e discriminação, uma situação não restrita às pessoas que têm deficiência. E se pensarmos nas crianças, essa é uma realidade ainda mais cruel.

Luta contra o preconceito

“No caso da minha filha, que não tem o cognitivo preservado, ela não percebe o preconceito, quem mais sofre somos nós, os irmãos, o pai e eu. Chegou a um ponto em que algumas pessoas retiraram os filhos da escola porque minha filha estava na sala de aula e houve pessoas que falaram para as crianças não chegarem perto dela, pois ela ‘babava e poderia passar a doença’. Então já ouvi muitas frases macabras, pois estou nessa caminhada há 17 anos”, relata Andrea Quadros, que é mãe da Júlia, uma adolescente que nasceu com encefalopatia crônica, mais conhecida como paralisia cerebral – um grupo de desordens que pode evoluir com comprometimento nas funções sensoriais, perceptivas, cognitivas, de comunicação e comportamental, e que geralmente afeta também a coordenação do corpo e movimento muscular.

A Maria Diva de Brito, 38 anos, também foi vítima de preconceito quando mais nova. Um problema durante o parto fez com que Maria não recebesse oxigênio necessário ao nascer. Isso a afetou a medula e, consequentemente, as pernas, que não são capazes de sustentar o próprio corpo.

“Teve um momento na minha adolescência em que eu sofri bastante preconceito. Mas eu nunca fui dessas de abaixar a cabeça e ficar em casa trancada. Primeiro eu me aceitei como sou. Então não importa quantas quedas eu vou levar, quantos machucados eu vou ter, sempre vou me levantar e seguir em frente”, enfatiza a Maria Diva.

Diagnóstico e tratamento precoce

A força de vontade dela passou também para a filha de cinco meses, a Juliana. Pouco depois de nascer, a bebê foi diagnosticada com microcefalia. Mas com os cuidados recebidos no Hospital de Apoio de Brasília, a pequena está conseguindo desenvolver a coordenação motora de maneira rápida, o que impressiona até os médicos do local.

A neuropediatra Ellen de Souza Siqueira, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, explica que para ampliar a conscientização da população para evitar o preconceito às crianças com deficiência é necessário instigar o debate e divulgar todas as informações possíveis sobre esse assunto.

“Às vezes as pessoas emitem opiniões errôneas sem saber da real situação de uma criança. Então, é importante evitar dar opiniões se você não conhece a história da criança, as dificuldades que a família passa e tudo que já sendo feito para lidar com aquela deficiência”, orienta Ellen.


De acordo com Danilo Campos, Coordenador Substituto da Coordenação-Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência, durante muito tempo, a deficiência foi encarada como uma tragédia pessoal, uma desvantagem natural ou mesmo uma anormalidade. “Perceber a deficiência como um modo de vida particular ou como mais um elemento da diversidade humana ainda é um grande desafio. Antes de tudo, a pessoa com deficiência é uma pessoa que tem direitos como qualquer cidadão”, avalia.

Por isso, a luta por uma sociedade mais justa e equitativa não pode e nem deve ser apenas das pessoas com deficiência e suas famílias, mas um esforço de toda a sociedade e do Estado, para evoluir no sentido de reconhecer e acolher as diferenças, combatendo as desigualdades. “É preciso entender que a deficiência não está na pessoa e sim na sociedade que não reconhece e acolhe as diferenças que acabam por criar barreiras que impedem a participação plena e efetiva das pessoas com deficiência na sociedade, completa Campos.

Viver Sem Limite

Nesse sentido, o Ministério da Saúde está atuando de maneira mais ostensiva para divulgar essas informações e, também, ampliar e qualificar a oferta de serviços de saúde, garantindo o direito do acesso de pessoas com deficiência aos serviços de saúde pública. Em 2011, o Governo Federal instituiu o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – o Plano Viver Sem Limite, com o objetivo de articular políticas intersetoriais para a garantia da inclusão social, a acessibilidade, o acesso à educação e a atenção à saúde das pessoas com deficiência.

No que se refere à Atenção à Saúde, o Plano Viver Sem Limite induziu a instituição da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), que desenvolve ações de prevenção, identificação precoce de deficiências na fase pré, peri e pós-natal, infância, adolescência e vida adulta, promovendo os cuidados em saúde para a habilitação/reabilitação e a inclusão das pessoas com deficiência.

Entre 2012 e 2017, o SUS contou com a habilitação de 190 Centros Especializados em Reabilitação (CER), além de investimento para a construção de 81 e qualificação de outros 270 CER. Esses serviços de atenção ambulatorial especializada em reabilitação realizam diagnóstico, tratamento, concessão, adaptação e manutenção de tecnologia assistiva, constituindo-se em referência para a rede de atenção à saúde.

Além disso, foram habilitadas 33 Oficinas Ortopédicas, construídas 20 Oficinas Ortopédicas e qualificadas outras 22, que são serviços de dispensação, confecção, adaptação e de manutenção de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção, visando ampliar e qualificar o acesso a estes dispositivos.

Além disso, o Ministério da Saúde está investindo na ampliação e qualificação das triagens neonatais, estratégia que possibilita a detecção precoce de algumas doenças e condições já nos primeiros dias de vida, possibilitando assim o diagnóstico e a intervenção em tempo oportuno de algumas deficiências.

Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência

Portanto, o recado para este 21 de setembro, Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, é de que uma vida plena e cheia de realizações sempre é possível quando reduzimos as barreiras, basta ver o caso do australiano Nick Vujicic, que nasceu sem os braços e sem as pernas, devido à rara síndrome Tetra-amelia. Isso não o impediu de vencer e se transformar em palestrante internacionalmente conhecido por sua história de superação. Como o ele mesmo diz: ”Para cada deficiência que você tem, você é abençoado com habilidades mais do que suficientes para superar seus desafios”.

Janary Damacena para o Blog da Saúde

 

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