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Entenda o SUS
  • publicado
  • Publicado: Terça, 25 de Setembro de 2018, 14h24
  • Última atualização: 25/09/18 16h34

Projeto de Resposta Rápida à Sífilis fortalece debate de enfrentamento à doença no RN

 

Fórum-debate-Sífilis-RN

As discussões do “Fórum Comunitário para enfrentamento à Sífilis”, realizado na última segunda-feira (24), em Natal, ganharam fortalecimento com a participação do Projeto de Resposta Rápida à Sífilis nas Redes de Atenção, do Ministério da Saúde. O encontro aconteceu durante toda a manhã, no auditório do Centro Universitário do Rio Grande do Norte (Uni-RN), e faz parte do calendário do Programa Estadual de IST/AIDS e Hepatites Virais, da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap).

Cerca de cinquenta pessoas estiveram presentes, entre as quais, representantes de movimentos sociais como o Mulheres de Axé, Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), Associação Vidas Positivas (AVIP), Povos de Matrizes Africanas, Movimento dos Pescadores, Selo Unicef Municipal, Rede Mandacaru e Fórum LGBT Potiguar, além do Conselho Estadual de Saúde, Conselhos Municipais de Saúde (CMS) de Natal e Parnamirim, Secretaria Estadual de Saúde Pública do RN, secretarias municipais de Saúde (SMS) de Natal e Parnamirim, o Núcleo de Estudo em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP) e Pastoral da AIDS da Arquidiocese de Natal.

Apoiadora do Projeto de Resposta Rápida à Sífilis, Chirly Moura enfatizou em sua palestra, a necessidade de inserir ações e dar maior visibilidade à doença. “As pessoas conhecem o HIV porque foi feito um trabalho muito grande de divulgação, o mesmo não acontece com a sífilis”, compara. Ela ressalta, ainda, o compromisso de divulgar mais e de conscientização. “Precisamos fazer chegar essa mensagem às pessoas, saímos daqui com esse objetivo”, disse. Nesse contexto, ela lembra que outra ação promovida pelo Ministério da Saúde é a inclusão do Dia Nacional de Combate à Sífilis no calendário, que ocorrerá em cada terceiro sábado de outubro.

O Rio Grande do Norte apresenta uma taxa de diagnóstico da Sífilis maior do que a média nacional. Embora o número de homens diagnosticados com a doença tenha aumentado, o número de mulheres diagnosticadas continua maior, esse dado é justificado pela procura elevada do público feminino aos serviços de saúde. De acordo com a pesquisa apresentada pela representante da Sesap, no evento, Amanda Almeida, a maioria das mulheres é diagnosticada durante a gestação e 30 municípios potiguares foram elencados como prioritários nas ações de combate à infecção. “O estado deve apoiar as ações de saúde mas, quem precisa realiza-las são os próprios municípios”, afirmou.

O médico ginecologista e obstetra Clemente Neto iniciou sua palestra expondo o panorama histórico da infecção, desde os primeiros relatos médicos até os dias atuais. “Durante a Idade Média, a sífilis devastou civilizações, além disso é um vírus que não sofreu mutação num período de cerca de 4 mil anos, então por que não conseguimos erradica-la?”, questiona. Ele ressaltou a necessidade de atingir um número maior de homens no tratamento. “A sífilis é uma doença eminentemente masculina, homens são vetores transmissores, se não atacarmos o público masculino não vamos conseguir controla-la”, provocou.

O preservativo é comprovadamente o melhor método de evitar as infecções sexualmente transmissíveis (IST’s), mas o contágio da sífilis não está restrito apenas a penetração, visto que as lesões chamadas ‘úlceras sifilíticas’ não se apresentam apenas nas genitais. Quanto a isso Clemente adverte: “só a camisinha não basta, as pessoas precisam olhar o corpo do outro”.

O representante do Fórum LGBT Potiguar, Heridelson Medeiros, evidencia a falta de campanhas do combate à sífilis para conscientizar a população. “Acho que precisamos de campanhas da mesma forma que temos outubro rosa, novembro azul, deveríamos ter um empenho maior dos gestores, ouvindo os estados e principalmente os municípios, essas ações precisam chegar ao interior”. Heridelson também representa uma ONG de proteção a IST/AIDS e Hepatites Virais da cidade de Campo Redondo, na região Trairi do estado.

Para Gisele Dantas, que faz parte da Articulação Nacional de Direitos Humanos em HIV/AIDS, entre as causas do alto índice de transmissão de todas as patologias sexualmente transmissíveis está a desinformação. “Até os profissionais de saúde estão deixando a desejar, precisamos fazer capacitações maiores, com certeza o cenário seria diferente se o houvesse mais subsídios para a população”, conclui.

A sífilis é uma doença infecciosa de contato e também pode ser transmitida a partir de relações sexuais, de maneira vertical (de mãe para o feto) e por transfusão de sangue. O Ministério da Saúde fragmenta infecção em: sífilis adquirida, que abrange toda a população, sífilis congênita que é o contágio vertical, transmitido de mãe para feto durante a gestação e sífilis gestacional, que trata e evita o contágio vertical (mãe para filho). O tratamento é feito a partir da aplicação de penicilina benzatina, oferecida gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

O Projeto de Resposta Rápida à Sífilis nas Redes de Atenção é promovido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com a Organização Mundial de Saúde e Organização Panamericana de Saúde. A iniciativa é dividida em quatro eixos, sendo eles: Gestão e Governança, que prevê a inclusão de ações nos planos de gestão dos municípios; o Cuidado Integral que propõe garantir a prevenção e tratamento desde a atenção básica até os níveis especializados; a EDUcomunicação que reforça a divulgação da doença, afim de aumentar o conhecimento da população sobre o tema e, por último, a Vigilância que tem o objetivo de condicionar as ações anteriores, evitando o retrocesso.

No Rio Grande do Norte os municípios escolhidos para a execução intensa do projeto foram Natal e Parnamirim. A escolha foi feita a partir dos critérios de prioridade e também por serem capital e município presentes na Região Metropolitana, respectivamente.

Por Renata Duarte e João Bosco de Araújo, do Ministério da Saúde no RN

 

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