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Matérias Especiais
  • publicado
  • Publicado: Quarta, 29 de Agosto de 2018, 09h51
  • Última atualização: 29/08/18 11h43

É possível parar de fumar?

Entenda as dificuldades que podem surgir no início do tratamento e os principais riscos à saúde do dependente do cigarro

especial tabagismo 

No passado, era comum ver propagandas de televisão incentivando o consumo do cigarro. A prática era culturalmente aceita e até vista com bons olhos. No entanto, hoje já são amplamente conhecidos os malefícios provocados pela dependência em todas as esferas da vida. Por que, então, ainda há jovens começando a fumar nos dias de hoje?

 

O Blog da Saúde conversou com a psicóloga Vera Borges, da Divisão de Controle de Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Na entrevista, ela explica o que ainda motiva os jovens a experimentar o cigarro, como ocorre a dependência no organismo e as causas para o início do tratamento ser acompanhado por sintomas desconfortáveis, como nervosismo, ansiedade e ganho de peso.

O mais importante é lembrar que todos esses sintomas são transitórios e que os benefícios adquiridos por quem abandona o tabaco são bem mais relevantes. Por isso, Vera lança um desafio: “Todo mundo diz que parar de fumar é muito difícil, mas nós temos recursos para ajudar. A proposta que eu faço é para que as pessoas se deem essa chance, experimentem um ou dois dias sem fumar e vejam os ganhos imediatos que ela tem. Se ela estender isso para a vida dela de uma maneira mais ampla, vai ter a noção dos benefícios que terá”, afirma.

“Faço a sugestão de que as pessoas experimentem essa liberdade de viver sem fumar”, acrescenta a psicóloga. Confira a entrevista:

Blog da Saúde: A nicotina é a única substância do cigarro que faz mal?
Vera Borges: O cigarro tem na composição cerca de 4.700 substâncias que trazem prejuízos à saúde. A nicotina é a substância de maior destaque porque é ela que provoca uma dependência química como a de outras drogas, e acaba expondo a pessoa às outras substâncias, como monóxido de carbono e alcatrão. O alcatrão, por exemplo, que se forma no momento da combustão, tem em sua composição substâncias responsáveis por provocar vários tipos de câncer. Já o monóxido de carbono dificulta a chegada de oxigênio para os tecidos e órgãos do corpo, comprometendo a atividade normal e podendo causar doença coronariana, como infarto do miocárdio, dentre outras. Enfim, há um desdobramento de várias doenças a partir das substâncias contidas na composição do cigarro.

Por que a nicotina vicia?
No sistema nervoso, temos uma área descrita como “sistema de recompensa” porque tem relação direta com nossa atenção, motivação, recompensa e prazer. A nicotina, por ser uma substância psicoativa, irá atuar nessa região estimulando a liberação de neurotransmissores, como a dopamina, responsável pela sensação de bem estar, relaxamento, o que faz com que, inicialmente, quem começa a fumar recorra ao tabaco para reproduzir essa sensação. Após a tragada do cigarro, a nicotina atinge o cérebro, e tem início a estimulação de substâncias que, com o reforço aumentado e constante, levará a um quadro de dependência química.

#FAQMS | Perguntas e Respostas sobre tabagismo

Quais são as principais doenças causadas pelo cigarro?
Os agentes nocivos encontrados no fumo comprometem a defesa do organismo e acabam por produzir aproximadamente 55 doenças relacionadas ao tabagismo, que podem diminuir, em média, até 10 anos da vida de um fumante. O tabagismo é responsável por 30% de todas as mortes por câncer, por 85% dos cânceres de pulmão, e por doenças respiratórias, infartos e acidente vascular cerebral. Importante também destacar que o tabagismo aumenta o risco de doenças não só nos fumantes ativos, como também nos fumantes passivos.

Hoje já são conhecidos os riscos do cigarro. Por que ainda há jovens começando a fumar?
O contato com o tabaco ocorre, em mais de 90% dos casos, na adolescência. Essa é uma fase de sentimentos de descoberta de identidade, com forte desejo de desafiar, podendo adotar comportamentos supostamente adultos. Aliado a isso, há o sentimento de “controle das situações” que pode levá-lo a experimentar o fumo, mesmo sabendo que é perigoso, mas acreditando, equivocadamente, que pode experimentar sem ficar dependente. Ninguém usa o cigarro na primeira vez achando que vai ficar dependente

Apesar das informações que atualmente existem sobre tabagismo, várias são as motivações que ainda podem levar o jovem a fumar. A propaganda, exposição de venda de cigarros em locais que o jovem frequenta, como padarias e supermercados, é um grande risco para a saúde do jovem, pois pode estimulá-lo a experimentar o fumo. É necessário, portanto, repensar essas exposições nos pontos de venda. Outra possibilidade do jovem começar a fumar é reproduzindo comportamentos de ídolos, ou de pessoas fumantes e próximas a ele, como amigos e familiares. É dever de toda sociedade alertar o jovem de que a dependência do cigarro é uma das mais severas, que obriga seus usuários a consumi-lo em quantidades cada vez maiores, várias vezes ao dia, num ciclo em que, quanto mais ele fuma, mais tem vontade de fumar e mais dependente fica.

SUS oferece tratamento para quem deseja parar de fumar

Mesmo quem fuma muito consegue parar de fumar?
Com certeza. Hoje o Brasil tem um programa dentro do SUS para estimular o tratamento, com as ferramentas adequadas para ajudar nessa mudança de comportamento. Temos no SUS profissionais capacitados para avaliar o tabagista e realizar o tratamento. Se houver indicação, serão inseridos medicamentos para ajudar a reduzir o desconforto físico e psicológico de quem para de fumar sozinho, como irritação, nervosismo e ansiedade. No tratamento, a pessoa aprende a lidar com isso e, assim, tem mais chances de deixar de fumar definitivamente.

Por que o início do tratamento é o momento mais difícil?
A dificuldade inicial está muito relacionada ao fato de que há uma dependência química que foi reforçada por anos, com uso diário do cigarro em toda a rotina. A interrupção desse processo poderá trazer um desconforto inicial. O mais importante é a pessoa entender que as dificuldades são transitórias. De modo geral, nas três primeiras semanas os sintomas desconfortáveis estarão mais presentes, já que, até então, o cigarro fazia parte de todos os momentos da vida. São necessários alguns dias para a desintoxicação, para o corpo, o cérebro e a memória entenderem uma nova informação. No início vai ficar um buraco, que, com o tempo, deve ser preenchido com alguma nova rotina, como momentos de lazer, uma atividade física ou uma alimentação mais saudável.

Por que muitas pessoas engordam quando param de fumar?
A alteração no peso é real, e em grande parte está relacionada ao fato de a pessoa ficar mais ansiosa quando deixa de fumar. Esse é um aspecto esperado nos primeiros meses do processo de adaptação. Depois desse primeiro período, a perda de peso vai acontecer na medida em que a ansiedade também for diminuindo. O fumante que quer parar de fumar vive uma angústia muito grande. Quando ele percebe que tem orientação e que ele consegue alcançar sua meta e deixar de fumar, isso também vai dar um prazer muito grande para ele. Durante o tratamento, o tabagista é orientado a evitar alimentos mais calóricos, mas a recomendação é de que não se faça dieta nesse primeiro momento, para não ser privado de duas coisas, o que poderia estressá-lo de maneira importante e comprometer o seu objetivo de parar de fumar.

Qual é a regulação hoje sobre o cigarro eletrônico?
No Brasil é proibida a venda e a comercialização. Há uma preocupação quanto ao fato de o cigarro eletrônico ser entendido como um recurso para tratamento, pois a literatura até o momento não confirma esse entendimento e mostra que ele não é isento de riscos à saúde. Além disso, o cigarro eletrônico pode se apresentar como um incentivo à iniciação de jovens para fumar ou ainda comprometer a abstinência de quem já deixou de fumar cigarros.

Para um melhor entendimento sobre o tema, o INCA participou de um estudo chamado "Cigarros eletrônicos: o que sabemos?", publicado em dezembro de 2016, que concluiu que, por precaução e com base na falta de evidências científicas sobre a segurança e eficácia, o uso de cigarros eletrônicos não pode ser recomendado para tratamento.

Ana Cláudia Felizola, para o Blog da Saúde

 

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