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  • Publicado: Quarta, 12 de Fevereiro de 2014, 17h00
  • Última atualização: 12/02/14 17h23

Rastreamento do câncer de mama em faixa prioritária é medida estratégica e não restritiva

Foto: CorbisExistem duas formas para fazer a detecção precoce de um câncer de mama. Uma é por rastreamento populacional, estratégia em que todas as mulheres em uma faixa etária específica, com riscos e sintomas ou não, realizam o exame. E a outra é por diagnóstico precoce, procedimento feito individualmente nas mulheres que apresentam riscos ou sintomas. O chamado rastreamento populacional é usado no mundo todo sempre em uma faixa etária prioritária. Em países como Holanda, Noruega, Austrália, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, França, Finlândia, Japão, Canadá e o Reino Unido, a faixa etária começa aos 50 anos.

No Brasil, todas as mulheres têm o direito de fazer mamografia nas duas mamas, independente da idade. “Em qualquer idade da mulher ou adolescente o médico pode e deve pedir uma mamografia e ela será paga pelo SUS. O que estamos induzindo e reforçando é o rastreamento a partir dos 50 até os 69 anos de idade”, reforça o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães.

O início da faixa etária prioritária foi definido nos 50 anos porque é a partir dessa idade que a mamografia apresenta os melhores resultados e é quando se têm a maior prevalência do câncer de mama. Embora possa ser utilizada nas mulheres que tenham história de risco para câncer de mama, a mamografia de rastreamento abaixo dos 50 anos não tem o mesmo efeito. Isso porque os exames podem dar resultados falsos devido à baixa qualidade da imagem gerada pela mamografia em mulheres na pré-menopausa devido a maior densidade mamária, trazendo graves repercussões psicológicas e clínicas à paciente. Como, por exemplo, a falsa segurança dada pelo exame falso-negativo, além do alto número de intervenções médicas desnecessárias, trazidas pelo exame falso-positivo.

Por isso, a estratégia do rastreamento é indicada apenas na faixa etária dos 50 aos 69 anos, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Essa diretriz é oriunda de um documento de consenso, fruto de um painel de especialistas, com ampla participação das mais diversas entidades e instituições envolvidas com o tema em todo o Brasil”, explica Dr. Arn Migowski, médico da Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede, do INCA.

“Antes dos 50 anos a mamografia não é tão eficiente para verificar o câncer. Acaba gerando um maior número de biopsias e outros exames sem necessidade. Quando a mulher está em uma idade mais avançada a mama é basicamente só gordura, por isso fica fácil de visualizar o contraste na imagem”, explica o professor titular de Ginecologia da Unicamp, Luis Carlos Zeferino. O professor Zeferino lembra ainda que muitos países não fazem rastreamento antes dos 50 anos. “Na Inglaterra, por exemplo, não se faz mamografias com mulheres menores de 50 anos que têm antecedentes de risco, só se for um risco muito alto”, acrescenta.

A partir dos 70 anos a detecção precoce do câncer de mama dada pelo rastreamento mamográfico já não influencia significantemente a mortalidade por este tumor. Por isso a faixa prioritária vai até os 69 anos. “Depois dos 70 anos, se a mulher tiver feito os exames anteriores, a chance de ela desenvolver o câncer de mama é muito baixa. Ninguém faz rastreamento em idades avançadas”, comenta Zeferino.

Mamografia UNILATERAL - É preciso ficar esclarecido que a mamografia unilateral pode ser feita nas duas mamas e não apenas em uma, como se tem divulgado erroneamente. Como se pode verificar na tabela do SUS, disponível aqui, a mamografia unilateral tem como 02 a quantidade de procedimentos que podem ser feitos. Ou seja, ela pode ser uni- ou bilaterial, sendo, obviamente, a unilateralidade aplicável àqueles doentes que sofreram uma mastectomia total e, portanto, não têm as duas mamas, ou quando o médico quer avaliar ou localizar uma lesão já conhecida em apenas uma das mamas da paciente. Isso impede que se pague a mais por um procedimento que deve ser feito em apenas uma das mamas. Nos outros casos de mamografias antes dos 50 anos, o recomendado, quando necessário e com indicação médica, é uma mamografia unilateral nas DUAS mamas.

Mamografia BILATERAL - O outro procedimento, a mamografia bilateral, tem a finalidade de rastreamento do câncer de mama entre mulheres assintomáticas, sem diagnóstico prévio de câncer de mama e com mamas sem alterações, conforme os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O número de procedimentos dessa mamografia, ao contrário da unilateral, é de apenas 01, pois ele é obrigatoriamente feito nas duas mamas.


Confira o vídeo abaixo, onde o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, fala sobre alguns problemas de entendimento das mamografias feitas no SUS. A faixa etária prioritária para rastreamento do câncer de mama, o financiamento dos exames e a questão dos exames uni e bilaterais são os pontos abordados pelo secretário:




Lucas Pordeus Leon / Blog da Saúde

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