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Promoção da Saúde
  • publicado
  • Publicado: Quinta, 18 de Maio de 2017, 08h00
  • Última atualização: 16/05/17 18h33

Mais de 1,2 milhão de adolescentes morrem por causas evitáveis a cada ano

16.05.2017 - mortesadolescentessiteMais de 3 mil adolescentes morrem todos os dias, totalizando 1,2 milhão de mortes por ano, por causas amplamente evitáveis, segundo novo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e parceiros. Em 2015, mais de dois terços dessas mortes ocorreram em países de baixa e média renda na África e no Sudeste Asiático. As lesões de trânsito, as infecções respiratórias inferiores e o suicídio são as maiores causas de morte entre os adolescentes.

A maior parte dessas mortes pode ser prevenida com bons serviços de saúde, educação e apoio social. Mas, em muitos casos, os adolescentes que sofrem de transtornos de saúde mental, uso de substâncias ou má nutrição não podem obter serviços de prevenção e assistência, seja porque os serviços não existem ou porque as pessoas não os conhecem.

Além disso, muitos comportamentos que afetam a saúde posteriormente na vida – como inatividade física, má alimentação e comportamentos de saúde sexual de risco – começam na adolescência.

"Os adolescentes estão totalmente ausentes dos planos nacionais de saúde há décadas", diz Flavia Bustreo, subdiretora-geral assistente da OMS. "Investimentos relativamente pequenos voltados aos adolescentes agora não só resultarão em adultos saudáveis e capacitados, que prosperam e contribuem positivamente para suas comunidades, mas também em gerações futuras mais saudáveis, produzindo enormes retornos".

Os dados do relatório Global Accelerated Action for the Health of Adolescents (AA-HA!): Guidance to Support Country Implementation revelam diferenças acentuadas nas causas de morte ao separar o grupo de adolescentes por idade (adolescentes mais jovens, com idade entre 10 e 14 anos, e mais velhos, entre 15 e 19 anos) e por sexo. O relatório também inclui o leque de intervenções – desde as leis que exigem o uso do cinto de segurança até uma educação sexual mais abrangente – que os países podem tomar para melhorar a saúde e o bem-estar e reduzir drasticamente as mortes desnecessárias.

Lesões no trânsito são a principal causa de morte entre adolescentes, afetando desproporcionalmente meninos

Em 2015, os acidentes no trânsito foram a principal causa de morte de adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, resultando em aproximadamente 115 mil mortes. Meninos adolescentes mais velhos, com idades entre 15 a 19 anos, sofreram a maior carga. A maioria dos jovens mortos em acidentes são usuários vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.

No entanto, as diferenças entre regiões são grandes. Considerando apenas os países de baixa e média renda na África, as doenças transmissíveis como HIV/aids, infecções respiratórias inferiores, meningite e doenças diarreicas são as maiores causas de morte entre os adolescentes, ultrapassando as lesões no trânsito.

Infecções das vias respiratórias inferiores e complicações da gravidez prejudicam a saúde das meninas

O retrato para as meninas difere muito. A principal causa de morte entre as adolescentes mais jovens, com idade entre 10 e 14 anos, são as infecções respiratórias inferiores, como pneumonia – muitas vezes um resultado da poluição do ar pelo uso de combustíveis sujos na cozinha. Complicações na gravidez, tais como hemorragia, sepse, obstrução do trabalho de parto e complicações decorrentes de abortos inseguros são a principal causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos.

Adolescentes correm um risco muito alto de autoagressão e suicídio

O suicídio e a morte acidental por autoagressão foram a terceira causa de morte entre adolescentes em 2015, resultando em cerca de 67 mil óbitos. A autoagressão ocorre em grande parte entre os adolescentes mais velhos e globalmente é a segunda principal causa de morte para as adolescentes mais velhas. É a principal ou segunda causa de morte entre adolescentes na Europa e no Sudeste Asiático.

Uma população vulnerável em contextos humanitários e frágeis

As necessidades de saúde dos adolescentes se intensificam em contextos humanitários e frágeis. Os jovens muitas vezes assumem responsabilidades de adultos, como cuidar de irmãos ou trabalhar, e podem ser obrigados a abandonar a escola, casar-se precocemente ou se envolver em sexo transacional para atender às próprias necessidades básicas de sobrevivência. Como resultado, sofrem com desnutrição, lesões não intencionais, gravidez, doenças diarreicas, violência sexual, infecções sexualmente transmissíveis e problemas de saúde mental.

Intervenções para melhorar a saúde do adolescente

"Melhorar a forma como os sistemas de saúde servem aos adolescentes é apenas uma parte da melhoria de sua saúde", afirma Anthony Costello, diretor de Saúde Materna, Infantil e do Adolescente da OMS. "Os pais, as famílias e as comunidades são extremamente importantes, pois têm o maior potencial para influenciar positivamente o comportamento e a saúde dos adolescentes".

O AA-HA! Guidance recomenda intervenções em todos os setores, incluindo a educação sexual abrangente nas escolas; limites de idade mais elevados para o consumo de álcool; exigência de cintos de segurança e capacetes por meio de leis; redução do acesso e uso indevido de armas de fogo; redução da poluição do ar interno por meio de combustíveis de cozinha mais limpos; e aumento do acesso a água potável, saneamento e higiene. A publicação também fornece explicações detalhadas sobre como os países podem entregar essas intervenções com programas de saúde de adolescentes.

TabelaOMS

Fonte: OMS/OPAS

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