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Promoção da Saúde
  • publicado
  • Publicado: Sexta, 10 de Novembro de 2017, 17h54
  • Última atualização: 10/11/17 17h54

“Ao perder a audição, entendi que a vida é superar desafios”

foto audicaoO músico Ludwig van Beethoven (1770-1827) era ouvinte na infância, mas, quando chegou à adolescência, foi perdendo a audição. O gênio da música morreu aos 57 anos completamente surdo. Casos como o do compositor alemão são mais frequentes do que se imagina. No Brasil, são cerca de nove milhões de pessoas com alguma deficiência auditiva, segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o meu caso - sou deficiente auditivo desde os 15 anos. Antes, eu ouvia como um ouvinte. Falava no telefone por horas com namoradas e escutava músicas nas alturas. A partir de 1995, quando fui morar com a minha avó paterna, em Botafogo no Rio de Janeiro, foi que os meus familiares começaram a notar a perda auditiva, e foi logo após eu passar na avaliação para estudar música na Villa-Lobos. Após exames e audiometrias constataram minha perda auditiva neurossensorial. 

Segundo a fonoaudióloga do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), Gisele de Andrade, a surdez é didaticamente classificada de acordo com a localização da alteração auditiva. "Quando a alteração ocorre na orelha externa (pavilhão auditivo e condutivo auditivo externo) ou na orelha média (membrana timpânica ou na cadeia ossicular) é chamada de perda auditiva condutiva. Quando a alteração se dá na orelha interna (cóclea ou conexão com o nervo auditivo), é chamada de perda auditiva neurossensorial ou sensório-neural. Sendo assim, um portador de perda auditiva neurossensorial é um indivíduo que tem alterações de audição devido a algum problema no funcionamento da cóclea ou do nervo auditivo”, explica.

Há outros tipos de perda de audição, como a surdez central, causada pelo processo natural da velhice e a surdez causada pela exposição a volumes muito altos e poluições sonoras. De acordo com especialistas, uma pessoa não pode permanecer em um ambiente com atividade sonora de 85 decibéis por mais de oito horas. Esse tempo cai para quatro horas em lugares com 90 decibéis, duas horas em locais com 95 decibéis, e uma hora quando a intensidade chega a 100 decibéis. É preciso ficar atento, pois muitas vezes a pessoa não percebe que está perdendo a audição.

Aparelho auditivo x implante coclear

Com as tecnologias de hoje existem várias formas do surdo ampliar a sua audição que são os aparelhos auditivos ou um implante coclear. No caso dos aparelhos auditivos que não funcionam por pelo grau da deficiência, esperança de um dia ouvir vem de um implante coclear.

O implante consiste em uma prótese colocada dentro da cóclea (parte interna do ouvido) através de uma cirurgia, e outra presa ao redor da orelha, composta pela antena e o processador de fala. O aparelho capta os sons e transfere diretamente este som para o nervo auditivo, possibilitando que o paciente gradativamente comece a ouvir.

Por se tratar de um dispositivo de alta complexidade, uma equipe multidisciplinar verifica a possibilidade de o indivíduo receber o implante. “O implante coclear é uma das opções para pessoas com perda auditiva. Dependendo do grau, os pacientes podem se beneficiar do uso do aparelho de amplificação sonora individual (AASI) sem precisar de uma cirurgia. Há alguns indivíduos que optam por não usar nenhuma tecnologia para auxiliar na audição, como se inserir na Comunidade Surda e se comunicar por meio da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)”.

Pessoas com surdez de grau severo ou profundo, em ambos os ouvidos, que não se beneficiam com o uso de aparelhos auditivos convencionais, são possíveis candidatos ao Implante Coclear gratuito.

Acompanhamento e superação diária

Cada centro de implante coclear tem suas próprias normas de seleção dos pacientes, que precisam passar por uma avaliação multidisciplinar (Otorrinos, fonoaudiólogos, assistentes sociais, psicólogos, entre outros). Além disso, devem se comprometer a retornar periodicamente para os ajustes no processador (mapeamento) e a participar de sessões de terapia fonoaudiológica pelo menos uma vez por semana para desenvolver suas novas habilidades auditivas e sua linguagem oral.

Tive a oportunidade de fazer o implante, porém convivo muito bem com o aparelho auditivo. Mesmo com desafios de adaptação ao deixar de ser ouvinte e possuir uma deficiência auditiva, me formei em jornalismo e fiz pós-graduação em Marketing e Comunicação Empresarial. Com ajuda dos colegas de trabalho, faço monitoramento de mídia e produzo matérias para o público interno do NEMS. Além disso, fora do meu expediente daqui, alio minha paixão pelo jornalismo e o futebol com coberturas de treinos e jogos do Clube de Regatas Vasco da Gama. Entendi que a vida é feita de desafios que devem ser superados cotidianamente.

Políticas públicas de saúde voltadas para a saúde auditiva

Desde 2010 é obrigatória por lei federal a realização da triagem auditiva neonatal em todos os bebês nascidos no país. O exame é indolor, não invasivo, realizado com o bebê em sono natural, ainda na maternidade, de preferência com 48 horas de vida.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), pelo menos 800 milhões de pessoas sofrem alguma perda auditiva no mundo. As causas são variadas a cada caso. Mas é possível se prevenir, como alerta Gisele. A especialista aponta as principais medidas para evitar a perda auditiva:

• Vacinação contra doenças infecciosas como sarampo, meningite, caxumba e rubéola;
• Um bom cuidado pré-natal para evitar ou minimizar riscos de nascimento prematuro e necessidade de internação do bebê;
• Aleitamento materno, que ajuda no desenvolvimento imunológico do bebê e que previne otites causadas pela entrada de leite artificial no ouvido durante ou após as mamadas;
• Programas de saúde com informações sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis como sífilis, herpes, citomegalovírus e HIV/AIDS na população em geral e em especial em mulheres grávidas e seus parceiros;
• Uso racional de antibióticos, especialmente em recém-nascidos;
• Cuidados pessoais como não colocar objetos, incluindo cotonetes, dentro do ouvido, pois podem lesar o tímpano;
• Não se expor a ruídos altos por longos períodos de tempo sem o uso de protetores auriculares;
• Não ouvir música alta, especialmente utilizando fones de ouvido;
• Realizar exames auditivos periódicos;
• Realizar a triagem auditiva neonatal universal nas maternidades.

Por Thiago Tostes, do NEMS/RJ

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