Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Página inicial > Promoção da Saúde > Parto Humanizado e Violência Obstétrica – informação para garantia de direitos
Início do conteúdo da página
Promoção da Saúde
  • publicado
  • Publicado: Quinta, 22 de Março de 2018, 11h32
  • Última atualização: 16/04/18 10h52

Parto Humanizado e Violência Obstétrica – informação para garantia de direitos

video mulher primeirasemanaDurante o mês de março, Mês da Mulher, a equipe Multimídia do Ministério da Saúde preparou entrevistas com especialistas de diversos temas que envolvem e são de interesse do público feminino. Além de levantar debates, o objetivo é informar as mulheres, fazê-las conhecedoras de seus direitos, como o Parto Humanizado, por exemplo, para lutar contra questões como a Violência Obstétrica, infelizmente ainda comum nos ambientes hospitalares.

Este foi o tema da primeira conversa, transmitida ao vivo, pela página do Ministério da Saúde no Facebook. As entrevistadas foram as médicas Renata Reis, obstetra e especialista em Parto Humanizado, e Daphne Rattner, presidente da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa).

Nas lives do Facebook, quem pergunta são os expectadores, além disso, muitos compartilharam suas experiências.

Parto Humanizado

Renata Reis explicou que o parto humanizado é um modelo de atenção, que tem a mulher como protagonista. E que é diferente de parto natural, que ocorre sem intervenção, mas, mesmo assim, pode haver violência obstétrica e não dá à mulher o protagonismo devido. “São três pilares no parto humanizado: autonomia das mulheres, equipe multiprofissional e evidências científicas”, completa a médica.

Em relação à Lei do Acompanhante, por exemplo, Daphne Rattner descreveu inúmeros benefícios de a gestante ter, no momento do parto, alguém indicado por ela, de sua confiança, para ajuda-la, prestar apoio. “As pessoas não ousam serem violentas como de costume, tendo alguém ali do lado da mulher. E, fora que é muito importante apenas o fato de ter alguém ali segurando a mão dela”, disse Daphne Rattner.

A obstetra Renata Reis completou dizendo que a Lei do Acompanhante não deve ser condicionada a nada, como a falta de roupa adequada, ou o fato de os profissionais não aceitarem homens na sala de parto, ou porque não há estrutura para mais uma pessoa na sala e qualquer outra “desculpa” dada pela maternidade ou casa de parto.

Violência Obstétrica

As duas entrevistas ressaltaram que muitas mulheres são vítimas de violência obstétrica, mas sequer identificaram, porque geralmente elas estão desinformadas, não conhecem seus direitos. “Frequentemente as mulheres têm seus períneos [região entre o ânus e a vagina] cortados na intenção de ampliar o canal de parto. Isso do ponto de vista científico é altamente questionado. Mas isso tem sido feito como rotina, sem perguntar ou informar a mulher”, destacou a obstetra Renata Reis.

A representante ReHuNa fez uma recomendação às expectadoras. “Eu queria fazer uma propaganda aqui da Caderneta da Gestante, do Ministério da Saúde. Depois que você abre, você vê o conteúdo e o quanto ele é cuidadoso em explicar os direitos das mulheres”. O documento está disponível online para quem tem interesse.

Você sabe o que é violência obstétrica?

Caderneta da Gestante 

Profissionais de saúde

Para os profissionais de saúde, Daphne Rattner e Renata Reis concordaram com a ideia de que é preciso mudar a cultura e lembrar que, apesar de eles assistirem com frequência vários partos, para as mães, aquele é um momento único, e precisa ser respeitado.
“A pessoa é formada num sistema que não enxerga a mulher como sujeito e sim como objeto de cuidado. A gente tem que rever a cultura, rever o que tá falando, o que tá fazendo. Falar ‘não doeu na hora de fazer’, por exemplo, não vai ajudar em nada a mulher na hora do parto. A gente tem uma expectativa de profissionais saindo da formação de uma maneira diferente. O problema são os que já praticam isso há anos e não percebem”, diz a presidente da Rehuna.

“É um convite para sair do automático. Por mais que você atenda dez partos por dia, cada parto é um parto”, destaca Renata Reis.

Também foi alerta dado na entrevista que a violência obstétrica pode resultar em uma depressão pós-parto, por exemplo. Daphne Rattner explicou: “a gente tem que fortalecer a mulher na sua competência de parir, então os profissionais precisam respeitar o momento, que é sublime, de trazer uma vida ao mundo”.

Luta feminina

Ao final da entrevista, as duas médicas reforçaram que as mulheres não podem se calar se sofrerem ou souberem de qualquer violência obstétrica. Elas indicaram que haja a denúncia à Ouvidoria da unidade de saúde, às secretarias estaduais ou municipais, ao Ministério Público e onde mais for possível. “Vá atrás, se queixe, porque com isso você vai estar ajudando outras mulheres e você mesma no parto seguinte”, confirmou Daphne Rattner.

Para saber mais sobre o assunto, assista ao vídeo completo da entrevista!

 Erika Braz, para o Blog da Saúde

Adicionar Comentário

Comentários

  • Nenhum comentário encontrado
Fim do conteúdo da página