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Promoção da Saúde
  • publicado
  • Publicado: Terça, 04 de Dezembro de 2018, 12h08
  • Última atualização: 04/12/18 15h00

Você conhece uma pessoa com ostomia de eliminação?

Entenda como as bolsas coletoras podem salvar vidas e devolver aos pacientes a possibilidade de viver normalmente

zzxxxWhatsApp Image 2018-11-27 at 15.41.51A publicitária Thaís Amorim, 25 anos, é uma jovem apaixonada por criação, dança e fotografia. Ela adora passar tempo ao lado dos amigos, da família e dos membros da sua igreja. Muitas vezes é possível encontrá-la pelas ruas trabalhando em ações sociais, ouvindo as histórias das pessoas e dando um pouco do seu tempo para elas. Ela é jovem, ativa, alegre, ostomizada e vive com uma bolsa coletora – o que para ela é um “símbolo de vitória”.

Thaís é uma das 400 mil pessoas ostomizadas que vivem atualmente no Brasil, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Ostomizados. A ostomia, ou estomia de eliminação, é um procedimento cirúrgico realizado quando é preciso construir um novo trajeto para eliminar a urina e as fezes. Normalmente, é realizado depois de condições traumáticas ou patológicas (como por exemplo: perfurações acidentais no abdômen, doenças no intestino, no reto e na bexiga), que podem gerar necessidade de uma ostomia para a manutenção da vida.

Aprendendo a conviver

No caso de Thaís Amorim, o procedimento realizado foi uma ileostomia (comunicação do intestino delgado com o exterior) de forma emergencial, depois de uma complicação com uma cirurgia para endometriose. “Ocorreu uma perfuração no meu intestino durante o procedimento, mas não houveram indícios disso inicialmente. Então, eu fiquei sete dias com o intestino perfurado sem saber e tive uma infecção generalizada. Quando eu saí da sala de cirurgia, já estava ostomizada. Naquele momento, foi a única alternativa para salvar minha vida, e eu agradeço”, lembra.

Ela inicialmente pensou que seria uma coisa passageira. “No primeiro momento eu estava pensando que seria um procedimento rápido, pensei que iria sair do hospital já com trânsito intestinal normalizado. Como eu estava muito preocupada com a minha saúde, já que a chance de sobreviver era muito pequena, e eu entrei em coma, a ilestomia naquele momento era a última preocupação”, conta.

Ao deixar o hospital, aprender a conviver com as bolsas coletoras foi um processo de aceitação. “É uma história de amor e ódio. Você passa muitas vezes por muito constrangimento e a adaptação é muito difícil. Mas, existe um sentimento de gratidão, afinal se a bolsa não estivesse ali, talvez você não estaria aqui”, reflete Thaís.

Enfrentando o preconceito e dificuldades

Após a cirurgia de ostomia, a pessoa precisa se adaptar às mudanças nos padrões de eliminação, bem como dos hábitos alimentares e de higiene. Além de se adaptar com o dispositivo e aceitar as mudanças no corpo, Thaís conta que uma das situações mais difíceis é enfrentar o preconceito. “Muitas pessoas não conhecem ou não entendem, te olham de forma preconceituosa, e é muito constrangedor. Quando a sociedade te trata com esse olhar, é doloroso. Eu senti isso várias vezes quando eu comecei a sair e, por isso, fiquei muito mais em casa no começo do processo”, lembra.

Para enfrentar o julgamento e conscientizar as pessoas, a publicitária criou um diário da sua rotina com a ostomia no Instagram. “O objetivo era justamente falar para as pessoas que existiam pessoas que tinham um tipo de necessidade, um tipo de deficiência, que não era tão visível assim, mas que precisava de cuidado e de empatia”, conta. Pessoas com ostomias são consideradas pessoas com deficiência física e, em razão disso, podem usufruir dos direitos que a lei garante a essas pessoas.

Símbolo de vitória

Quanto às dificuldades diárias, a rotina de Thaís mudou completamente. “No dia a dia, você sai na rua quase como uma criança, cheia de sacolas para trocas emergenciais, por exemplo. De repente, eu como alguma coisa que não caiu muito bem, a bolsa produz muito e as vezes vaza na rua. É super constrangedor. Outra coisa é que quase não existem banheiros adaptados para esvaziar a bolsa, o que cria muita dificuldade. Você vai aprendendo a lidar com tudo isso”, lamenta.

Sobre tudo isso, ela deixa um recado. “Para quem está iniciando o processo de aceitação da bolsa, eu digo que não é nenhum bicho de sete cabeças, apesar de ser um processo realmente muito complicado. Entendendo a importância da bolsa na sua vida e o que fez por você, tudo fica mais fácil. Por outro lado, para todos, eu peço a empatia e a solidariedade de pensar um pouco no próximo. É um problema importante, talvez você inclusive conheça alguém ostomizado e não saiba disso. Muitas pessoas escondem, mas não precisa ser um tabu, é um símbolo de vitória”, completa. 

Janaina Bolonezi, para o Blog da Saúde. 

 

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