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Promoção da Saúde
  • publicado
  • Publicado: Quarta, 30 de Outubro de 2019, 18h23
  • Última atualização: 30/10/19 18h28

Iniciativas que ampliam acesso à APS são premiadas

Os vencedores do Prêmio ‘APS Forte: Acesso Universal’ foram apresentados na terça-feira (29), durante cerimônia em Brasília (DF)

48981221746 b2ceea970b wFoto: Erasmo Salomão/MS“É ampliando o acesso das pessoas ao SUS que vamos transformar a norma da universalidade em fato concreto”, destaca o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Erno Harzheim, durante uma cerimônia em Brasília ao cumprimentar os vencedores do Prêmio ‘APS Forte: Acesso Universal’ - experiências bem-sucedidas na área da Atenção Primária em Saúde (APS).

 Três projetos para ampliar o acesso da população ao Sistema Único de Saúde (SUS), dos municípios de Jaraguá do Sul (SC), Salgueiro (RJ) e Abaetetuba (PA) foram selecionados e poderão servir de exemplos para outras localidades. “Nós escolhemos premiar as iniciativas que aumentem o acesso aos serviços da Atenção Primária, porque a nossa preocupação principal é com as pessoas. E as pessoas que fazem a Atenção Primária no Brasil estão nos municípios. São os municípios que dão as condições para as equipes de saúde trabalharem e atenderem as pessoas que procuram o sistema de saúde. Por isso, estamos premiando o trabalho das pessoas que atendem as pessoas”, justificou o secretário.

A Atenção Primária à Saúde (APS) é conhecida como a porta de entrada, ou seja, é o atendimento inicial dos usuários do SUS. É geralmente o primeiro ponto de contato do sistema de saúde com as famílias e comunidades. Elas recebem cuidados diários, desde orientações e atendimentos clínicos mais simples até o encaminhamento do paciente para médicos especialistas ou hospitais, caso necessite de procedimento cirúrgico ou emergencial.

Mas como isso é feito? Além das Unidades de Saúde da Família, existem outras formas de ter acesso à Atenção Primária à Saúde. Ela pode estar presente nas escolas, com o Programa Saúde na Escola; em unidades localizadas em locais de difícil acesso como nas regiões ribeirinhas e nas ruas, com os Consultórios na Rua. É nesse nível de atenção que o usuário recebe orientações sobre alimentação saudável, vacinação, como cuidar da sua saúde em casa, dos perigos da automedicação, como controlar das doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e cuidados para reabilitação de algum problema de saúde, além de diversos outros tipos de atendimento.

Confira quem foram os três ganhadores selecionados entre 11 experiências bem-sucedidas e entrarão em um livro de estudos de casos da Atenção Primária.

 Abaetetuba (PA)

Em um município com apenas 53% de cobertura de Saúde da Família e com altos índices de mortalidade de mulheres em idade fértil, de gravidez na adolescência e de casos de sífilis, HIV e Hepatites Virais, os profissionais da Estratégia de Saúde da Família (ESF) viram a necessidade de melhorar a mineira de falar sobre à saúde sexual e reprodutiva dos cerca de 156 mil moradores de Abaetetuba. Eles levaram em conta suas diferenças e vivência ao longo de suas vidas. “O projeto no laço de fita começou por uma questão muito forte no Brasil: a violência sexual. Por isso, começamos a trabalhar com vários grupos, incluindo grupos de saúde da mulher, saúde do homem e com esses grupos falamos sobre a homofobia, a saúde do idoso, entre outros temas”, relevou Lucilene Ribeiro, enfermeira e secretária de saúde do munícipio de Abaetetuba, no Pará.

O projeto envolveu ações de saúde com adolescentes, adultos e idosos, abordando sexualidade, valorização e respeito. Iniciado em março de 2018, o plano apresentou resultados no mesmo ano, com aumento no número de atendimentos de pré-natal, atendimentos de saúde sexual e reprodutiva, testes rápidos de Hepatite B, Sífilis e HIV, entre outros. Mais do que melhorar o acesso da população à saúde, a ideia envolveu a população na garantia do direito à saúde.

“Trabalhamos todas essas questões e fomos crescendo, fomos somando com as equipes de saúde e fazendo o que realmente as equipes de saúde primária pede na ponta – um pré-natal de qualidade, alcançar metas de vacina, ampliamos a testagem de HIV em 100% das unidades de saúde, ampliamos o pré-natal do parceiro e todas essas temáticas da tenção primária”, contou Lucilene.

Para ela, a experiência, além de ser emocionante, é um retorno para população, que é quase metade ribeirinha, ou seja, 40% dessa população mora nas ilhas e para ter acesso aos serviços de saúde. “Elas precisam se deslocar em canoas, as vezes demora horas, depende de maré e tem a questão da segurança dessa população. E levar acesso a todos, fazer uma campanha de vacinação onde não tem energia e com dificuldade de chegar, é muito gratificante”, revelou a secretária ressaltando que não foi necessário aumentar as UFS, apenas qualificaram as equipes.

48981419477 f8d97a5124 wFoto: Erasmo Salomão/MS

Jaraguá do Sul (SC)

Já os profissionais de Jaraguá do Sul (SC) conseguiram zerar a lista de espera para consultas nas unidades de saúde, apenas com algumas atualizações e avanços nos protocolos de rotina. A cidade com quase 175 mil habitantes em Santa Catarina, registrava, em novembro de 2018 cerca de 15,5 mil consultas/mês reprimidas, somando todas das 25 unidades de saúde da cidade, gerando insatisfação e reclamação dos usuários.

“O paciente tem acesso qualificado na atenção primária e esse trabalho, embora ele seja com relação ao profissional enfermeiro, ele proporcionou envolver todos os profissionais da atenção primária e fez com que esses profissionais melhorassem no acolhimento do paciente”, ressaltou Silvia Regina Bonato, enfermeira e gerente de atenção primária do projeto.

A gestão local elaborou Protocolo de Enfermagem, gerando mais segurança para a atuação dos enfermeiros da rede municipal. As consultas de Enfermagem e a prescrição de exames e medicamentos essenciais para a população e o acolhimento nas unidades de saúde, foram incorporados na rotina de trabalho dos enfermeiros. Como resultado, em maio de 2019, a secretaria zerou a fila consultas para a APS. “Havia mais de 12 mil pessoas aguardando para primeiro atendimento. Quando esses enfermeiros foram capacitados pelo Coren de Santa Catarina, os atendimentos tiveram mais qualidade, o paciente já sabia o que deveria fazer quando saia de lá, caso não precisasse de atendimento médico. E quando era necessário, já retornava para o atendimento com os exames e todos os cuidados”, explicou Regina.

Segundo a gerente, o processo de convencimento da população ao novo modelo de atendimento da APS, foi feito por meio da imprensa e nas redes sociais, assim como o apoio político da Câmara de Vereadores e do Conselho Municipal de Saúde que foram fundamentais para a implantação da experiência. “O prêmio ele veio fortalecer todo esse engajamento de cada profissional envolvido, ele vem mostrar para a sociedade a importância do trabalho do enfermeiro, a importância do atendimento multiprofissional e a comunidade ela entendeu”, contou ela.

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Projeto Salgueiro (RJ)

A cidade de Salgueiro (RJ) observou um alto número de encaminhamentos de alunos de escolas locais aos serviços de saúde, por alterações de comportamento no ambiente escolar, a maioria com diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

Com isso, profissionais de saúde identificaram a necessidade de avaliar não só as crianças, mas também o contexto familiar e social em que estavam inseridas. “A gente chega até a escola e começa a ter reuniões, conseguimos avaliar as crianças nos eu ambiente natural e ter mais informações para fazer um cuidado em saúde mais completo, eliminando o risco de automedicação e outros agravos”, contou o médico de família do projeto Salgueiro, Daniel Trindade.

Criado o “Grupo das Crianças”, com encontros na própria escola, com duração média de 45 minutos, em que os profissionais da ESF conduzem o grupo a partir de metodologias e dinâmicas previamente definidas, a fim de facilitar atividades em que as crianças possam demonstrar aquisições e atrasos no desenvolvimento infantil. O trabalho contou com apoio de comerciantes locais e instituições como a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, bem como o Conselho Tutelar. “Esse trabalho conjunto nos aproximou muito das famílias das famílias, por causa desse encontro na escola em contato com ela direto, nós conseguimos entender um pouco as crianças e pensar novas formas de cuidar dessas delas ou trazer outros especialistas”, revelou Daniel.

Como resultado do trabalho, as crianças assistidas reconhecem no grupo um lugar privilegiado, expressam sorrisos e alegria nos encontros. Foi valorizada a aproximação entre família, escola e saúde. Foi pactuada a escuta e a atenção para com as crianças, tanto pela escola como pela família. Além disso, foi possível ver a violência contra crianças (maus tratos) que gera stress nelas, recomendando que os diagnósticos psiquiátricos devem ser cuidadosamente elaborados por equipes competentes para evitar o risco de consequência muitos medicamentos na infância.

Os vencedores foram escolhidos por um time de jurados especiais, como o médico Dráuzio Varella, o apresentador Chico Pinheiro (TV Globo), a colunista Claudia Collucci (Folha de S. Paulo), a radialista Mara Régia (Rádio Nacional), a repórter Lígia Formenti (O Estado de S. Paulo), e os jornalistas Luiz Fara Monteiro (TV Record), Alan Ferreira (TV Globo) e Lise Alves (colaboradora da revista The Lancet).

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Luíza Tiné, para Blog da Saúde 

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