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  • publicado
  • Publicado: Terça, 10 de Janeiro de 2017, 11h00
  • Última atualização: 12/01/17 11h54

Sergipe realizou 135 transplantes de córnea no ano passado

IMG 3521-e1483637826343-300x202O Sistema Nacional de Transplantes (SNT) brasileiro é o mais democrático do mundo. Todos têm o mesmo nível de acesso, e quase 100% dos procedimentos são realizados através do Sistema Único de Saúde (SUS). É também o segundo em números absolutos de transplantes em todo o mundo e o mais avançado em normas e protocolos técnicos relativos à transplantação de órgãos, tecidos e células. Ainda assim, o número de cirurgias deste tipo é insuficiente. A conta entre doadores e receptores nunca bate.

No ano passado, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), através da Central de Transplantes, realizou 135 procedimentos de córnea. No entanto, a lista de espera ainda é de 197 pessoas. Segundo o coordenador da Central, Benito Fernandez, alguns aspectos, como a falta de informação, a crença religiosa e o preconceito, ainda são os principais obstáculos para a doação de órgãos.

“As pessoas ainda têm medo de doar, acham que os órgãos vão ser vendidos, que o corpo vai ficar deformado. Há ainda quem acredite que a religião não permite, mas nenhuma crença religiosa no Brasil condena a doação, pelo contrário. Doar é um ato de amor ao próximo, por isso é importante que os padres, pastores, praticantes do candomblé e outros orientadores religiosos conversem com seus fieis sobre essa importância”, salienta.

Outros agentes fundamentais para que exista o transplante são os profissionais da saúde. “Quando o médico suspeitar da morte encefálica do paciente, ele deve informar à família e explicar sobre a possibilidade dele se tornar um doador de órgãos. O médico tem um papel fundamental nesse processo, seja no acolhimento dos parentes, na orientação e na sensibilização da causa”, enfatiza Benito.

Foi através de um transplante que o guarda municipal Bruno Santana de Souza Lima conseguiu recuperar a visão do olho esquerdo. “Quando nasci, houve complicação no parto e isso deixou sequelas no meu olho. Convivi com limitação na visão até os 8 anos de idade, quando recebi o transplante de córnea pela primeira vez. Aos 19 tive falência do órgão transplantado e precisei de um novo procedimento. Entrei em pânico no primeiro momento, mas, graças a Deus, fui transplantado e hoje consigo enxergar novamente. Ver o sorriso do meu filho é um presente maravilhoso. Não tem preço!”, relata Bruno.

Ele conta que faz questão de conversar com as pessoas, explicar aos amigos e familiares a importância da doação. “Não pode existir dúvidas quanto a ser ou não doador de órgãos. Você permitir ao outro dar continuidade à vida, permitir com que a vida continue a pulsar em outra pessoa, é a maior demonstração de amor ao próximo que pode existir”, complementa.

Como ser um doador

O coordenador da Central de Transplantes da SES explica que na doação os órgãos e tecidos são removidos com procedimentos similares a uma cirurgia, e todas as incisões (cortes) são fechadas após a conclusão do procedimento. Tudo é realizado para que a pessoa, em seu funeral, não seja reconhecida como uma doadora por apresentar deformações e cortes visíveis. Pessoas de todas as idades podem ser doadores de órgãos e tecidos.

No caso de órgãos como rim, medula óssea, pâncreas, fígado e pulmão, exista a possibilidade de que se realize o transplante com doador vivo. “A legislação brasileira permite a doação de órgãos entre parentes até quarto grau, com autorização judicial”, informa Benito Fernandez.

Ele explica, ainda, que um potencial doador pós-morte é o paciente que se encontra internado num hospital e tem morte encefálica constatada. “É aquele doador que estava sob cuidados intensivos, com lesão cerebral severa causada por acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral ou tumor, com subsequente lesão irreversível do encéfalo. Tipicamente são pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc)”, detalha.

Logo depois que é decretado o falecimento encefálico, o médico conversa com a família. Por isso, ressalta o coordenador da Central de Transplantes, “é necessário comunicar aos parentes que quer ser um doador, pois é deles a responsabilidade de permitir ou não a doação de órgãos”.

Depois de confirmada a doação, as equipes fazem a extração dos órgãos, em centro cirúrgico, respeitando todas as técnicas de assepsia e preservação dos órgãos. Terminado o procedimento, elas se dirigem aos hospitais para procederem à transplantação. Outro ponto que é importante salientar é que a idade do doador é menos importante do que o estado do órgão a ser doado; no entanto, é raro serem usados órgãos de pessoas com mais de 70 anos.

Por Herieta Schuster/ Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe

 

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