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Perguntas e Respostas
  • publicado
  • Publicado: Segunda, 04 de Junho de 2018, 19h14
  • Última atualização: 04/06/18 19h16

Cinco dúvidas sobre obesidade infantil

obesidade infantilPor que todos (pais, governo, escolas e sociedade) têm que estar envolvidos na causa Obesidade Infantil?

A determinação do sobrepeso e da obesidade é multifatorial e social. Está relacionada à má alimentação, aos modos de comer e de viver da atualidade e também, preponderantemente, ao sistema alimentar vigente no País, ou seja, o conjunto de fatores que constitui o modo de vida das populações modernas, que consomem cada vez mais produtos processados e ultraprocessados, fabricados pela indústria com a adição de substâncias como gordura e açúcar a alimentos para torná-los duráveis, mais palatáveis e supostamente mais atraentes. Estas substâncias normalmente são derivadas de alimentos, como óleos, farinhas, amidos e açúcares. E, muitas são obtidas por processamento adicional de substâncias extraídas de alimentos.

 

O desequilíbrio do balanço energético que determina o excesso de peso (sobrepeso e obesidade) decorre, em parte, pelas mudanças do padrão alimentar aliados à reduzida prática de atividade física, tanto no período laboral como no lazer. As causas não são apenas individuais, mas também ambientais e sociais, sobre as quais o indivíduo, em muitas ocasiões, tem pouca capacidade de interferência. Nesta perspectiva, o enfrentamento desta situação requer que o Estado, pais, escolas e sociedade adotem medidas complexas e ações articuladas. Diante disto, é fundamental articulação de todos os atores na prevenção e controle da obesidade infantil, englobando ações de educação e formação da hábitos de vida saudáveis, promoção de ambientes saudáveis, proteção contra estratégias que dificultem ou confundam as crianças para adoção de alimentação saudável, garantia do acesso e disponibilidade de alimentos saudáveis, garantia de um cuidado em saúde integral, dentre outros.

Nesse sentido, a prevenção e o controle da obesidade devem prever a oferta de um escopo amplo de ações que apoiem os indivíduos na adoção de modos de vida saudáveis que permita a manutenção ou a recuperação do peso saudável. Por isso, torna-se necessária a articulação da Rede de Saúde com uma rede muito mais complexa, composta por outros saberes, outros serviços e outras instituições, não apenas do setor Saúde, ou seja, a busca da interdisciplinaridade e da intersetorialidade, e essencialmente a busca de parcerias na comunidade e equipamentos sociais, implementando novas formas de agir, mesmo em pequenas dimensões.

2 - Há outros motivos que levam à obesidade além da alimentação inadequada?

A obesidade é multifatorial. Ainda que o ganho excessivo de peso esteja relacionado diretamente ao consumo alimentar e prática de atividade, diversos fatores impactam fortemente nessas práticas. Nesse sentido, é patente que as causas da obesidade não são apenas individuais, mas também ambientais e sociais, sobre as quais o indivíduo, em muitas ocasiões, tem pouca capacidade de interferência. Grande exposição das crianças à publicidade de alimentos não saudáveis, comercialização de alimentos não saudáveis em escolas, baixo acesso e disponibilidade a alimentos saudáveis, dificuldade de acesso a informações confiáveis sobre alimentação saudável, rotulagem nutricional pouco clara, baixo preço de alimentos não saudáveis e estrutura insuficiente ou inadequada para prática de atividade física são exemplos de motivos que contribuem para a obesidade.

3 - Quando uma criança é considerada obesa e quando ela está apenas acima do peso?

Há diversos métodos para avaliar se o peso de uma pessoa é excessivo. Na prática clínica cotidiana e para a avaliação em nível populacional, recomenda-se o uso do Índice de Massa Corporal (IMC) por sua facilidade de mensuração e por ser uma medida não invasiva e de baixo custo. O IMC é estimado pela relação entre o peso e a altura do indivíduo, expresso em kg/m2 (ANJOS, 1992). O IMC, além de classificar o indivíduo com relação ao peso, também é um indicador de riscos para a saúde e tem relação com várias complicações metabólicas.

A Caderneta de Saúde da Criança apresenta uma tabela no qual indica o IMC da criança partir do peso e altura. Este valor é plotado na curva, em relação à idade, e assim permite a avaliação do estado nutricional da criança, conforme exemplo abaixo:

O referencial para classificar o estado nutricional de crianças menores de 5 anos são as curvas de crescimento infantil propostas pela Organização Mundial da Saúde em 2006 (OMS, 2006), e para as crianças de 5 a 10 anos incompletos a referência da Organização Mundial da Saúde lançada em 2007 (OMS, 2007). Confira na caderneta: 

http://www.telessaude.uerj.br/colorindo-e-movendo/pdf/colorindo/caderneta_saude_menino_passaporte_cidadania.pdf 

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_saude_crianca_menina.pdf 

4 - O que a obesidade interfere na vida da criança a longo prazo?

Crianças com obesidade aos 2 anos tem 75% de chance de ser obeso na vida adulta. O desenvolvimento de obesidade infantil está relacionado com o desenvolvimento de diversas doenças a curto e longo prazo, como diabetes, resistência a insulina, hipertensão, dislipidemias, distúrbios psicológicos, complicações gastrointestinais, doenças cardiovasculares.

5 - Qual o primeiro passo para ajudar uma criança obesa ou com sobrepeso?

É fundamental que haja acompanhamento profissional para realização do diagnóstico de sobrepeso ou obesidade nas crianças e orientação quanto ao tratamento mais adequado. Os pais e cuidadores devem estar sensibilizados para o problema, no entanto, é imprescindível que não haja culpabilização nem da criança e nem dos pais nesse momento. Deve-se buscar estratégias efetivas e sustentáveis no âmbito individual, familiar, escolar, comunitário e nos demais espaços em que a criança está inserida, de forma que a adoção de hábitos de vida mais saudáveis seja facilitado e promovido.

 

 

Pais, responsáveis e os governos têm papéis fundamentais na luta contra a Obesidade Infantil. Isso acontece por meio de atenção à alimentação, à atividade física e ao tempo de exposição das crianças às telas e contando com políticas públicas que assegurem acesso  a alimentos de qualidade, entre outras ações. Veja como todos, juntos, podemos enfrentar o problema.

 

Luíza Tiné, para Blog da Saúde

 

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