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Promoção da Saúde
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  • Publicado: Terça, 02 de Julho de 2013, 14h16
  • Última atualização: 17/09/13 11h13

Ginecologista responde mitos e verdades sobre a pílula anticoncepcional

Treta Images / Corbis

Milhões de mulheres utilizam diariamente, há mais de 50 anos, a pílula anticoncepcional, medicamento muito estudado e símbolo da emancipação feminina. Apesar dela trazer vários benefícios, as usuárias devem ficar atentas. Segundo o ginecologista do Hospital Federal dos Servidores (HFSE), Hugo Miyahira, os efeitos do remédio vão além do controle sobre a fertilidade; ele também interfere na saúde do corpo de forma geral. Apesar de ser muito difundido, o uso da pílula ainda causa dúvidas entre as mulheres.

Confira abaixo algumas afirmativas onde Miyahira esclarece o que é mito e verdade.

  • Tomar pílula pode causar varizes e até trombose? Verdade.

Não existem remédios que não tenham efeitos colaterais, portanto quanto maior a dose de hormônio, maior o perigo. Mas o médico também avalia os riscos e benefícios. “Vamos imaginar que a mulher não use pílula e engravide. O risco dela ter flebite (inflamação nas veias) é três a quatro vezes maior do que se ela não engravidasse. A dose de hormônio também é importante. Quando se utiliza 35 microgramas de etinilestradiol, essa pílula oferece mais risco do que uma de 15 microgramas, mas nem por isso se deixa de usar. Quando o médico decide pelo uso, ele individualiza a paciente”, explica.

Mulheres com antecedentes de trombose devem, por segurança, optar por não utilizar o medicamento. Mas deve-se levar em conta também outros fatores associados, por exemplo, o excesso de peso, o sedentarismo, o fato de a mulher trabalhar em pé ou sentada por muito tempo, além de outras doenças que possam aparecer eventualmente. “Em principio, um médico avaliando a paciente, por meio de exames básicos e informações, pode decidir quanto ao uso de pílula. A relação de incidência dos efeitos colaterais é mínima e não justifica o fato de não ter acesso a um beneficio.”

  • É seguro emendar várias cartelas para não menstruar? Verdade.

Mas é preciso, mais uma vez, avaliar os riscos e benefícios. Se uma paciente tem muita dor quando menstrua, o ginecologista afirma que emendar as cartelas pode ser bom. Ela pode ficar sem menstruar e, ocasionalmente, ter um pequeno sangramento. Outras vezes é possível emendar três ou quatro cartelas e, então, parar por uma semana, menstruar e voltar usar a pílula novamente, em um regime intercalado. Assim, ao invés de menstruar 12 vezes por ano, a mulher menstrua apenas três ou quatro. Caso a paciente não se sinta incomodada com seu ciclo menstrual regular, Miyahira afirma que é interessante não emendar tantas cartelas, para evitar a interferência de hormônios no corpo.

  • Tomar a pílula durante muitos anos pode causar infertilidade na mulher? Mito.

“Existe uma coisa chamada síndrome pós-pílula, onde uma mulher para de tomar e a menstruação não vem. Então se diz que ela esta infértil, pois não ovula mais por causa da pílula. Entretanto, esse problema se resolve quase na totalidade dos casos espontaneamente e sem medicação, em um período de seis meses. Além disso, a síndrome não depende do tempo e de quantos anos se tomou a pílula, depende apenas do comportamento da pílula em cada paciente.”

  • A pílula diminui a libido da mulher? Depende.

“A pílula tem dois componentes: o estrógeno, uma substância sintética que na maioria das vezes é o etinilestratiol, e outra que se chama progestágeno, que tem uma ação no próprio receptor da progesterona, necessário para a ação da pílula. Esta última tem um efeito colateral: a usuária pode reter líquido ou urinar mais vezes que o usual. Um dos tipos de progestágeno é o acetato de progesterona, que em algumas pacientes pode interferir no apetite sexual e diminuir a libido por possuir uma ação antiandrogênica, ou seja, combate a ação do hormônio masculino. Mas ao fazer isso, ao mesmo tempo ela pode, por exemplo, melhorar a pele oleosa de uma mulher e diminuir acnes”, esclarece Miyahira.

  • Toda mulher pode usar a pílula anticoncepcional. Logo, posso usar a mesma marca que a minha amiga usa? Mito.

Toda mulher pode tomar pílula apenas se não tiver contraindicação, por isso é necessário um médico para avaliar. Ela é um medicamento e isso deve ser avaliado de acordo com o histórico de cada mulher. “Por exemplo, uma paciente hipertensa ou que teve uma doença no fígado não deve tomar a pílula. Para uma paciente com colesterol alto não é indicado que se tome medicamento com levonorgestrel. Então é preciso individualizar a paciente, pois o efeito será diferente”, afirma.

  • A pílula ajuda a diminuir a cólica menstrual? Verdade.

A cólica tende a acontecer mais nas pacientes que ovulam. E com o tempo, além de impedir a ovulação, a pílula diminui uma substância chamada prostaglandina, que existe naquele sangue eliminado, e diminui, portanto, a cólica menstrual.

  • Álcool e outros medicamentos podem cortar o efeito da pílula? Verdade.

A pílula tem interação com alguns antibióticos que podem diminuir o efeito. E se for de baixa dosagem, a ovulação pode acontecer.

  • Não faz mal se esquecer de tomar a pílula na hora correta, contanto que ainda se tome no mesmo dia? Mito.

 
“A pílula é planejada para ser tomada a cada 24 horas. Não é planejada para se tomar a cada 36 horas, ou seja, num dia toma-se oito horas da manhã e no outro às oito horas da noite. Isso faz cair o nível de hormônio no sangue e aumentar a taxa de falha e até o sangramento da paciente, principalmente nas pílulas de baixa dosagem”.

  • A pílula ajuda a prevenir o câncer de ovário? Verdade.

“As mulheres que tomam pílula têm uma diminuição na incidência de câncer de ovário em 60%. Esse é um problema que costuma aparecer na mulher a partir dos 60 anos e normalmente tem início na cicatriz da ovulação no ovário. Como se impede que haja cicatriz da ovulação, porque a mulher não ovula, a taxa de risco de câncer cai”, finaliza Miyahira.

 Por Fabiana Conte / Comunicação Interna do Ministério da Saúde

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